Argentina vota em eleições legislativas marcadas por polarização e baixa participação

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Da Redação

Mais de 36 milhões de argentinos foram chamados às urnas neste domingo (26) para renovar metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado, em eleições que definem o equilíbrio político da segunda metade do mandato do presidente Javier Milei.

As seções eleitorais foram encerradas às 18h, e os primeiros resultados oficiais devem começar a ser divulgados por volta das 21h. Segundo a Câmara Nacional Eleitoral, 58,5% dos eleitores haviam votado até uma hora antes do fechamento, o que representa uma das participações mais baixas da história recente do país, apesar do voto obrigatório.

Referendo sobre Milei

Transformadas pelo governo em um referendo sobre o plano de austeridade econômica de Milei, as eleições testam o apoio popular às medidas de corte de gastos e desregulamentação implementadas desde 2023. O slogan oficial da coalizão La Libertad Avanza resume a narrativa do governo: “A liberdade avança ou a Argentina regride.”

Do outro lado, o peronismo, em suas vertentes kirchnerista e federalista, tenta consolidar-se como força de oposição, com foco em críticas à entrega da política econômica aos Estados Unidos e aos cortes em áreas sensíveis, como saúde, educação e aposentadorias. A campanha oposicionista foi marcada pelo lema “Argentina ou Milei.”

Milei e a influência norte-americana

Javier Milei chegou ao poder há dois anos com um discurso ultraliberal e forte identificação com o ex-presidente norte-americano Donald Trump. Seu programa de ajuste fiscal — sustentado, em parte, por um resgate financeiro dos EUA, sob coordenação do secretário do Tesouro, Scott Bessent — tornou-se o principal eixo de disputa nas urnas.

Cartazes e pichações nas ruas de Buenos Aires expressam o desgaste dessa relação de dependência externa, mas analistas observam que parte do eleitorado ainda apoia o governo, cansado de décadas de crise econômica e instabilidade política.

Batalha nas províncias

O peronismo busca repetir o desempenho nas eleições locais de setembro, quando venceu o partido de Milei por quase 14 pontos percentuais na província de Buenos Aires, o maior colégio eleitoral do país. Já o governo espera conquistar ao menos um terço das cadeiras, o suficiente para assegurar a sustentabilidade política de seu programa econômico e convencer investidores internacionais de que mantém respaldo popular.

O desafio do governo

Independentemente do resultado, analistas apontam que Milei precisará recompor alianças políticas e ajustar seu gabinete, em meio a crescentes tensões internas e críticas sobre os impactos sociais do ajuste fiscal.O presidente votou em Buenos Aires, acompanhado de sua irmã e secretária-geral da Presidência, Karina Milei, e não falou à imprensa após deixar a seção eleitoral.

Os resultados oficiais devem começar a ser divulgados a partir das 21h (horário local).

Fonte: El Pais ( texto escrito originalmente em espanhol)

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