Região concentra a maior capacidade de energia renovável do país e se torna peça central do Plano de Transformação Ecológica do governo federal, que busca unir crescimento econômico, inovação e justiça social.
Da Redação
O Nordeste consolida-se como peça-chave na estratégia brasileira de desenvolvimento sustentável e industrialização de baixo carbono. Em palestra essa semana no seminário “Como Escalar e Acelerar os Investimentos Sustentáveis no Nordeste: As Oportunidades do Powershoring“, o secretário-executivo adjunto do Ministério da Fazenda e coordenador do Plano de Transformação Ecológica — Novo Brasil, Rafael Dubeux, afirmou que a região é essencial para atrair indústrias intensivas em energia abastecidas por fontes renováveis.
Segundo Dubeux, o governo federal busca inaugurar um novo ciclo de crescimento sustentável, combinando estabilidade macroeconômica, modernização do ambiente de negócios e inovação tecnológica. Ele destacou que medidas como a PEC da Transição, o novo arcabouço fiscal, o marco de garantias, o novo marco de seguros e a Reforma Tributária formam a base para ampliar a previsibilidade econômica e reduzir o risco de investimentos de longo prazo.
O Plano de Transformação Ecológica é o terceiro pilar dessa agenda e vai além de uma política ambiental. Trata-se de uma estratégia de competitividade geopolítica e econômica, voltada a reposicionar o Brasil em um cenário global cada vez mais orientado à economia de baixo carbono. “Não se trata apenas de proteger o meio ambiente, mas de modernizar o país e garantir crescimento com justiça social e distribuição de renda”, afirmou Dubeux.
No centro dessa transição está o Nordeste, que concentra a maior parte da capacidade instalada de energia eólica e solar do país. A região reúne condições únicas para receber plantas industriais descarbonizadas nos setores de siderurgia, fertilizantes e químicos.
O Piauí é exemplo desse protagonismo: o estado gera três vezes mais energia renovável do que consome e pretende se tornar um dos maiores polos globais de hidrogênio verde, combustível considerado essencial para a descarbonização da economia mundial.
Hoje, quase metade das indústrias brasileiras utiliza energia renovável, sendo o Nordeste líder nacional, com 60% das empresas da região já adotando projetos de energia limpa. A região recebeu, segundo o presidente do Banco do Nordeste (BNB), Paulo Câmara, mais de R$ 40 bilhões para projetos de energia limpa na última década. E “os estudos mostram que ainda estamos muito aquém do que o Nordeste pode gerar”, observou Câmara.
Com abundância de sol, vento e vontade política, o Nordeste se consolida como o motor da nova economia verde brasileira, onde desenvolvimento, inovação e sustentabilidade caminham lado a lado
