Lula encerra 2025 com recuperação política e 72% de chances de reeleição, aponta análise de Lavareda
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Modelo estatístico indica favoritismo do presidente, mas vitória em primeiro turno segue improvável; estudo aponta que liderança antecipada e melhora econômica sustentam o avanço
Da Redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fecha 2025 em um cenário de retomada política e social, após um ano marcado pela recuperação da popularidade e por sinais de estabilidade econômica.
Segundo o cientista político Antônio Lavareda, o petista volta a registrar índices de aprovação próximos ao equilíbrio — um salto expressivo diante da queda registrada no início do ano — e, caso mantenha o desempenho, teria hoje 72% de probabilidade de reeleição em 2026.
A estimativa, baseada em um modelo de regressão logística bayesiana que combina desempenho econômico, popularidade e histórico eleitoral, foi apresentada no programa Ponto de Vista, do site de VEJA, conduzido por Marcela Rahal.
O levantamento considera 13 eleições presidenciais brasileiras desde 1945 — quatro anteriores ao golpe de 1964 e nove realizadas na Nova República — e identifica padrões consistentes de comportamento do eleitorado.
Histórico e padrões eleitorais
De acordo com o estudo, 75% dos presidentes da Nova República foram reeleitos ou conseguiram eleger sucessores diretos, e em seis das nove disputas o candidato que liderava as pesquisas um ano antes acabou vitorioso. A análise reforça o peso da liderança antecipada e da vantagem da máquina pública como fatores determinantes no resultado das urnas.
Ainda assim, a chance de vitória em primeiro turno segue limitada: apenas 23% das eleições brasileiras tiveram desfecho sem segundo turno, e Lula nunca ultrapassou a metade dos votos válidos, mesmo nas vitórias de 2006 e 2022. Na história republicana, apenas Eurico Gaspar Dutra (1945) e Fernando Henrique Cardoso (1994 e 1998) conquistaram a Presidência no primeiro turno.
Da queda à Recuperação
Lavareda destaca que o governo passou por um ciclo de desgaste ao longo de 2024, influenciado por inflação alta, instabilidade política e perda de confiança. Em março de 2025, o saldo de aprovação chegou ao ponto mais baixo, com 13 pontos negativos. Desde então, houve uma reversão gradual: “A inflação de alimentos recuou, o dólar caiu e, com isso, melhoraram as expectativas. Esse quadro trouxe fôlego para o presidente e reduziu o pessimismo”, observou o cientista político.
Segundo os dados da IPESP Analítica, unidade estatística do instituto dirigido por Lavareda, o saldo de avaliação do governo hoje está praticamente zerado — média de -1 ponto —, com algumas sondagens já apontando retorno ao terreno positivo.
A equação da reeleição
A leitura do cientista político é que o “filme” da popularidade de Lula 3 tem três atos definidos: um início forte em 2023 (saldo médio de +13 pontos), uma queda em 2024 (+4 pontos) e uma deterioração acentuada no início de 2025, seguida pela recuperação que marca o fim do ano.
Com a melhora das expectativas econômicas, o controle da inflação e o retorno de programas sociais de impacto direto, o presidente viu a sua popularidade crescer.
“De nove presidentes vitoriosos na Nova República, seis lideravam as pesquisas no fim do ano anterior à eleição. Lula lidera hoje. Somando a isso a vantagem de incumbência e as projeções econômicas, chegamos à probabilidade de 72% de reeleição”, concluiu Lavareda.