por Redação do Interior
A intensificação da guerra envolvendo Israel, os Estados Unidos e o Irã tem coincidido com um aumento significativo de ataques de colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia ocupada. Organizações de direitos humanos e observadores internacionais alertam que, desde o início da ofensiva militar contra o regime iraniano em 28 de fevereiro, ao menos cinco palestinos foram mortos na região.
Relatórios de grupos israelenses de monitoramento apontam que a escalada ocorre enquanto a atenção diplomática e da mídia internacional está concentrada no conflito mais amplo no Oriente Médio. Segundo essas entidades, o cenário tem favorecido o aumento de ataques contra comunidades palestinas e propriedades agrícolas.
De acordo com o grupo israelense de direitos humanos B’Tselem, colonos vêm promovendo ações que incluem invasões de terras agrícolas, destruição de plantações, roubo de animais e danos a estruturas essenciais, como painéis solares e reservatórios de água utilizados por moradores palestinos.
Outro levantamento, realizado pela organização jurídica israelense Yesh Din, registrou 109 episódios distintos de violência de colonos em 62 comunidades palestinas nos primeiros dez dias da ofensiva militar contra o Irã. Entre os incidentes estão agressões físicas, disparos de armas de fogo, ameaças e danos a propriedades.

Um dos primeiros casos ocorreu em 2 de março na vila de Qaryut, no norte da Cisjordânia. Dois irmãos palestinos morreram após tentarem impedir que colonos danificassem um olival da família. Informações publicadas pelo jornal israelense Times of Israel indicam que o suspeito de realizar os disparos integrava as chamadas forças de defesa de área do exército israelense, unidades formadas principalmente por colonos reservistas das Forças de Defesa de Israel.
Outro episódio aconteceu em 7 de março nas colinas do sul de Hebron. Um colono abriu fogo contra dois irmãos palestinos, matando um deles e deixando o outro gravemente ferido. Imagens divulgadas posteriormente mostram um homem armado aparentemente utilizando uniforme militar no local do ataque.
O episódio mais recente ocorreu no domingo na vila de Abu Falah, próxima a Ramallah. Moradores relataram que tentaram impedir um grupo de israelenses mascarados de vandalizar oliveiras nos arredores da comunidade. Testemunhas afirmam que dezenas de colonos armados invadiram a área e atiraram contra os palestinos, resultando em duas mortes por tiros na cabeça, segundo serviços de resgate locais.
Após o ataque, forças israelenses chegaram à vila e utilizaram gás lacrimogêneo. Um terceiro morador morreu após sofrer parada cardíaca possivelmente associada à inalação do gás, de acordo com autoridades de saúde palestinas.
O aumento da violência gerou reação de organismos internacionais. O serviço diplomático da União Europeia afirmou que o nível de agressões registrado na Cisjordânia é considerado inaceitável e pediu que autoridades israelenses adotem medidas imediatas para impedir novos ataques e responsabilizar os autores.
Dentro do próprio Exército israelense também houve manifestação de condenação. O comandante responsável pela região da Cisjordânia classificou o episódio de Abu Falah como inaceitável e afirmou que civis não podem agir por conta própria contra palestinos, alertando que esse tipo de ação compromete a estabilidade regional e as operações de segurança.
Desde os ataques realizados pelo grupo islamista Hamas em Israel em 7 de outubro de 2023 — que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza — organizações internacionais relatam um aumento expressivo da violência de colonos na Cisjordânia. Dados das Nações Unidas indicam que moradores de pelo menos 45 comunidades palestinas já foram expulsos de suas casas.

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) informou que, no início de março, oito famílias palestinas — cerca de 45 pessoas — abandonaram sua comunidade na província de Nablus após uma sequência de ataques e ameaças associadas a um novo posto avançado de colonos.
Além disso, a ONU relata que o início da guerra contra o Irã trouxe novas restrições de mobilidade para a população palestina, com o bloqueio de postos de controle e o fechamento de acessos rodoviários que ligam vilas e cidades da Cisjordânia.
Especialistas em direitos humanos avaliam que a combinação entre conflito regional, restrições de movimento e presença crescente de colonos armados tem agravado a situação humanitária na região.Com informações da Deutsche Welle (DW).
