por Dr. Cláudio Jorge Gomes de Morais
Notícia de última hora registra a morte do filósofo alemão, o último remanescente da Escola de Frankfurt, que teve como principais pensadores Max Horkheimer, Theodor W. Adorno, Leo Lowenthal, Friedrich Pollock, Karl August Wittfogel, Walter Benjamin, Erich Fromm, Herbert Marcuse, Oskar Negt, Bertolt Brecht e Jürgen Habermas. A ideia de escola não pode ser entendida literalmente no sentido homogêneo do termo.
A Escola de Frankfurt desenvolveu a chamada Teoria Crítica, que sempre esteve posicionada contra a teoria tradicional. Uma forma de crítica radical da sociedade que não estava desvinculada da crítica da ideologia. No entanto, ela tinha como pressuposto a emancipação da sociedade, sua libertação definitiva diante das determinações do capital.

Ao mesmo tempo, era tarefa da Teoria Crítica estabelecer, diante da razão desde Kant e Hegel, uma análise atenta dos dispositivos de poder e repressão da racionalidade técnica e instrumental.
Habermas, por sua vez, ainda acreditava no projeto da modernidade. Ele mesmo defendia que era possível propor uma nova perspectiva ao projeto inacabado na esfera de um novo ethos ou no Iluminismo, na possibilidade efetiva de uma emancipação humana baseada na ciência.
Entretanto, diametralmente oposto ao pensamento de Habermas, o pós-moderno Lyotard condena todo o potencial de emancipação pela razão. O projeto da modernidade foi responsável pelo desencantamento do mundo e demoniza toda modernidade, atribuindo uma total falência da ciência.
Sem dúvida, uma das principais posturas dos pós-modernos é a desconfiança na razão. A insistência de Habermas em uma nova eticidade baseada em uma razão emancipatória, baseada na alteridade, nos livra da pós-modernidade e jamais nos faz abandonar a ciência.
