por Redação do Interior
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal formou maioria nesta sexta-feira (13) para manter a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e de outros três investigados ligados ao caso. O julgamento marca a primeira análise colegiada do processo no STF, que antes era conduzido apenas por decisões individuais de relatores.
O relator do caso, ministro André Mendonça, reafirmou os fundamentos de sua decisão inicial e rejeitou os argumentos apresentados pela defesa de Vorcaro, destacando que há elementos concretos que indicam risco às investigações. Entre eles, foram consideradas mensagens recentes encontradas no celular do banqueiro, com indícios de ameaças e envolvimento com milícias, reforçando a necessidade da prisão preventiva.
O voto de Mendonça, acompanhado pelos ministros Luiz Fux e Nunes Marques, manteve a detenção de Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador financeiro do grupo; Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que faleceu após tentativa de suicídio na carceragem da Polícia Federal; e Marilson Roseno da Silva, escrivão aposentado da PF acusado de facilitar acesso a informações sigilosas.

O ministro Gilmar Mendes ainda não registrou seu voto, e o ministro Dias Toffoli declarou suspeição, reduzindo o número de votos possíveis para quatro. A defesa ainda avaliou a possibilidade de empate, o que não se confirmou. A expectativa era que o empate poderia resultar em medidas cautelares mais brandas, como prisão domiciliar ou monitoramento eletrônico.
Vorcaro havia sido preso pela primeira vez em 17 de novembro do ano passado, ao tentar embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master diante de suspeitas de fraudes financeiras e gestão irregular.
A terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, apontou que o banqueiro poderia ter orientado intimidações a jornalistas, empresários e ex-funcionários, além de manter comunicação direta com servidores do Banco Central do Brasil para obter informações sobre o andamento das investigações.
Primeira análise colegiada
O julgamento virtual da Segunda Turma representa uma mudança significativa na forma como o STF trata o caso Master, garantindo maior transparência e uniformidade nas decisões.
Os ministros têm até a próxima sexta-feira (20) para registrar seus votos no sistema eletrônico. O resultado do julgamento deve consolidar o entendimento sobre a manutenção da prisão preventiva em um caso que movimentou bilhões de reais, afetou fundos de pensão e impactou milhares de investidores em todo o país.
