por Redação do Interior
A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de impedir a entrada no Brasil do assessor norte-americano Darren Beattie, aliado do presidente dos Estados Unidos Donald Trump, ganhou ampla repercussão na imprensa internacional nesta sexta-feira (13). O governo brasileiro apresentou a medida como resposta ao bloqueio do visto do ministro da Saúde Alexandre Padilha e de familiares por parte das autoridades americanas.
Veículos de comunicação da Europa, dos Estados Unidos e de países da América do Sul destacaram o episódio como mais um capítulo de tensão diplomática entre Brasília e Washington.
Veículos europeus destacam reação de Lula
O jornal britânico The Guardian ressaltou que Lula afirmou ter proibido a entrada do assessor de Trump como reação direta às restrições de visto impostas ao ministro brasileiro.
Segundo a publicação, Beattie pretendia viajar ao Brasil para cumprir compromissos e tentar visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso. O veículo também observou que o conselheiro americano costuma fazer críticas públicas ao governo brasileiro e a decisões do Judiciário, o que aumentou a tensão política em torno da possível viagem.
Na avaliação do jornal britânico, o episódio evidencia que ainda existem atritos relevantes na relação entre Brasil e Estados Unidos, apesar de tentativas recentes de aproximação entre os dois governos.
Imprensa dos EUA fala em “reciprocidade diplomática”
Nos Estados Unidos, a agência Associated Press informou que o governo brasileiro decidiu revogar o visto de Beattie como reação às restrições impostas por Washington a autoridades brasileiras.
A reportagem destacou que Lula declarou que a proibição permanecerá em vigor até que os Estados Unidos restabeleçam os vistos de Alexandre Padilha e de seus familiares. A agência também relatou que o assessor de Trump planejava participar de um fórum sobre minerais criticos e aproveitar a viagem para tentar se encontrar com Bolsonaro na prisão — possibilidade que acabou barrada pela Justiça brasileira.
Outro veículo que repercutiu o caso foi o jornal Times Union, que classificou a decisão do governo brasileiro como uma medida baseada no princípio da reciprocidade diplomática. A publicação ressaltou que a iniciativa ocorre em meio a um impasse entre os dois países envolvendo restrições de vistos impostas por Washington a integrantes do governo brasileiro.
Agências internacionais apontam escalada de tensão
A agência internacional Reuters informou que o governo brasileiro decidiu cancelar o visto do assessor após Lula afirmar que ele não poderá entrar no país enquanto o impasse diplomático com os Estados Unidos não for resolvido.
De acordo com a reportagem, o episódio é interpretado como um novo sinal de aumento da tensão entre os dois governos, especialmente em meio a críticas de aliados de Trump a decisões da Justiça brasileira envolvendo Bolsonaro.
Repercussão também chega à América do Sul
Jornais de países vizinhos também repercutiram a decisão do governo brasileiro. Na Argentina, o Clarín destacou que o veto ocorreu após os Estados Unidos restringirem o visto do ministro da Saúde.
No Chile, o La Tercera classificou a medida como uma retaliação diplomática direta a Washington e apontou que o caso ocorre em meio ao aumento das tensões políticas envolvendo aliados de Trump e decisões do Judiciário brasileiro.
Na Colômbia, o El Tiempo destacou que Lula declarou que o assessor americano não poderá entrar no país enquanto o visto de Padilha permanecer bloqueado pelos Estados Unidos.
Já no Uruguai, o jornal El País ressaltou que o episódio ganhou projeção internacional por envolver diretamente dois líderes de grande peso político global: Lula e Trump. A publicação também mencionou a intenção de Beattie de cumprir compromissos políticos no Brasil e tentar visitar Bolsonaro.
Governo brasileiro confirma revogação do visto
O presidente Lula afirmou que decidiu impedir a entrada do assessor americano como reação às restrições impostas ao ministro da Saúde e à família dele.
“Aquele cara americano que disse que vinha para cá para visitar o Jair Bolsonaro foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde”, disse Lula durante evento de reinauguração do setor de trauma do Hospital Federal do Andaraí, no Rio de Janeiro.
Os vistos de Padilha, da esposa e da filha do ministro foram cancelados pelo governo Trump em agosto do ano passado. A medida também atingiu outras autoridades brasileiras e ex-funcionários da Organização Pan-Americana da Saúde que atuaram na contratação de médicos cubanos para o programa Mais Médicos.
Itamaraty aponta irregularidades no pedido de visto
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil confirmou o cancelamento do visto de Beattie e afirmou que a decisão ocorreu devido à “omissão e falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita”.
O assessor havia solicitado o visto alegando que participaria de um fórum sobre minerais críticos promovido pela Amcham Brasil, em São Paulo.
No entanto, a agenda também incluía encontro com o senador Flávio Bolsonaro e uma tentativa de visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão. Auxiliares do Palácio do Planalto avaliam que houve má-fé na apresentação das informações, o que levou à revogação do documento.
Segundo o Itamaraty, esse tipo de omissão é motivo suficiente para negar ou cancelar um visto de acordo com a legislação brasileira e normas internacionais.STF já havia barrado visita a Bolsonaro.
Antes mesmo da decisão do governo brasileiro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, já havia proibido a visita de Beattie a Bolsonaro.
A decisão foi tomada após manifestação do chanceler Mauro Vieira, que alertou que o encontro poderia representar uma “indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”.
Vieira também informou que representantes do governo americano haviam solicitado reuniões no Itamaraty apenas dias antes da viagem, e que nenhum desses encontros estava confirmado.
Críticas ao governo brasileiro
Darren Beattie é conhecido por críticas ao governo Lula e ao ministro Alexandre de Moraes. Em declarações anteriores, ele chegou a afirmar que o magistrado seria o “principal arquiteto” de um suposto sistema de censura contra aliados de Bolsonaro.
O assessor também recebeu agradecimentos públicos do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro após sanções da Lei Magnitsky serem aplicadas contra Moraes.
Além da tentativa de visita ao ex-presidente, Beattie também pretendia discutir no Brasil temas como o funcionamento do sistema eleitoral e decisões judiciais que determinaram o bloqueio de perfis em redes sociais no âmbito de investigações sobre fake news e milícias digitais conduzidas no Supremo Tribunal Federal.
