por Redação do Interior
Em coluna publicada no jornal O Globo, o jornalista Bernardo Mello Franco analisa o papel do político alagoano Aldo Rebelo no cenário da próxima eleição presidencial e faz uma comparação com a participação de Kelmon Souza na disputa de 2022.
No texto, o colunista relembra a candidatura de Kelmon e o contexto em que ele surgiu nos debates presidenciais.
“Você se lembra do padre Kelmon? Em 2022, um desconhecido apareceu na TV como candidato a presidente da República. Era Kelmon Souza, um baiano de Acajutiba, que se dizia padre pela Igreja Ortodoxa do Peru. Kelmon foi lançado pelo extinto Partido Trabalhista Brasileiro de Roberto Jefferson e logo ficou claro que se tratava de um candidato laranja. A função dele era ir para os debates, atacar os adversários de Jair Bolsonaro”, escreveu.
Na avaliação do jornalista, algo semelhante pode ocorrer na disputa presidencial deste ano.
“Bem, na eleição desse ano, Flávio Bolsonaro também deve ter ajuda de um adversário de mentirinha. Ao que tudo indica, esse vai ser o papel de Aldo Rebelo”, afirma.
Rebelo lançou sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto pelo Democracia Cristã, legenda associada ao político José Maria Eymael.
O jornalista descreve o ex-ministro como um exemplo de “metamorfose política”.
“O Aldo é um caso curioso de metamorfose política. Ele foi ministro dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, passou quatro décadas no Partido Comunista do Brasil, mas agora trocou a foice e o martelo pela motosserra”, escreveu.
Na análise publicada em O Globo, Mello Franco afirma que Rebelo “renegou o passado de esquerda e abraçou a causa antiambiental”, passando a atuar, segundo ele, como “porta-voz de latifundiários, garimpeiros e desmatadores da Amazônia”.
O colunista também afirma que o ex-ministro passou a criticar o Supremo Tribunal Federal e a defender anistia para os envolvidos nos atos golpistas que culminaram nos ataques de 8 de janeiro.
“E ele já foi recompensado com uma secretaria na gestão de Ricardo Nunes, o prefeito bolsonarista de São Paulo”, escreveu.
Desempenho em pesquisas
O texto também menciona o desempenho de Rebelo em levantamentos eleitorais.
“Como candidato a presidente, o Aldo não convence os políticos e não empolga as massas. Ele está em último lugar em todos os cenários testados pelo Datafolha, com 2% das intenções de voto, atrás até do Renan Santos, o youtuber do Movimento Brasil Livre.”
Para o colunista, a participação do ex-ministro na disputa teria uma função específica.
“Ao que parece, o Aldo entrou nessa para cumprir tarefa. Ele vai atuar como linha auxiliar do bolsonarismo. E nas entrevistas como pré-candidato, ele tem passado a maior parte do tempo atacando o presidente Lula, a ministra Marina Silva, o Partido dos Trabalhadores e outros partidos de esquerda”.
Apesar das críticas, o jornalista ressalta que Rebelo possui uma longa carreira política.
“Olha, ao contrário do padre Kelmon, o Aldo tem uma longa história na política. Além de ter sido ministro, ele foi deputado por seis mandatos e passou pela presidência da Câmara”, escreveu.
Mello Franco também cita episódios curiosos da trajetória parlamentar do ex-ministro, como a proposta de restringir o uso de palavras estrangeiras na língua portuguesa e a iniciativa de criar o Dia do Saci.
“O fato é que esse Policarpo Quaresma das Alagoas andava em baixa com o eleitor. Há quatro anos ele tentou se eleger senador por São Paulo, mas terminou lá embaixo, com 1% dos votos.”
No encerramento da coluna, o jornalista volta à comparação com Kelmon.
“Em 2022, o Kelmon Souza surpreendeu muita gente ao aparecer nos debates de batina e crucifixo. Ele terminou a eleição com o apelido de padre de festa junina. Parece que o Aldo Rebelo vai adotar um figurino mais discreto, mas pra chamar atenção, ele já passou a usar um chapéu Panamá.”
