Renan Calheiros intensifica críticas ao Banco Central no caso Banco Master

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por Redação do Interior

Em meio ao avanço das investigações, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) voltou a se manifestar publicamente nas redes sociais com críticas contundentes à atuação de integrantes da supervisão bancária do Banco Central do Brasil. Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), o parlamentar afirma que mensagens identificadas em investigações indicam uma relação indevida entre dirigentes da autarquia e o Banco Master.

Segundo Renan, apurações conduzidas pela Polícia Federal e descritas em decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) revelariam trocas de mensagens nas quais dois diretores do Banco Central teriam orientado o banco sobre procedimentos em processos administrativos relacionados à instituição financeira.

“A polícia localizou e o Supremo Tribunal Federal descreveu inúmeras mensagens dos dois diretores do Banco Central orientando, sugerindo condutas para os processos administrativos referentes ao Master, que, por sua vez, os remunerava por uma consultoria ilegal e antiética”, afirmou o senador.

De acordo com Renan Calheiros, as conversas também indicariam que os servidores teriam alertado o banco sobre irregularidades identificadas durante a fiscalização e até prospectado interessados na compra da instituição. Para o parlamentar, a situação revela um conflito grave entre interesses públicos e privados.

“Isso escancara a promiscuidade entre o público e o privado”, declarou.

Nas críticas, o senador citou nominalmente o chefe adjunto da supervisão bancária do Banco Central, Paulo Sérgio de Souza, e o chefe do mesmo departamento, Deline Santana. Na avaliação dele, ambos deveriam atuar exclusivamente em defesa do interesse público, mas teriam favorecido interesses privados.

Renan também argumenta que a legislação atual sobre quarentena para dirigentes de órgãos reguladores não seria suficiente para evitar esse tipo de situação. Segundo ele, as irregularidades apontadas teriam ocorrido enquanto os servidores ainda ocupavam funções dentro da autarquia.

“Eles favoreceram interesses privados quando estavam sentados na cadeira. Isso precisa mudar”, afirmou.

As declarações ocorrem no momento em que o Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou o compartilhamento integral de documentos e informações sobre o caso envolvendo o Banco Master com a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. A decisão inclui o envio de dados sigilosos e a prestação de apoio técnico do tribunal aos trabalhos da comissão.

Com a autorização, a CAE terá acesso a relatórios e análises produzidos pela Corte de Contas durante o acompanhamento do caso. O TCU recomendou que os documentos sensíveis sejam identificados com marca d’água e que sejam observados rigorosamente os protocolos de confidencialidade.

De acordo com as normas regimentais, parlamentares e servidores que tiverem acesso aos dados ficam obrigados a preservar o sigilo das informações, sob pena de responsabilização legal em caso de divulgação indevida.

Comissão de Assuntos Econômicos (CAE)

Renan Calheiros também afirmou que as investigações indicam falhas estruturais na fiscalização do sistema financeiro. Para ele, o episódio seria resultado de uma combinação de fatores, incluindo brechas legais, falhas de supervisão e pressões institucionais.

O senador classificou a atuação dos órgãos de controle como uma “cegueira fiscalizatória dolosa”, envolvendo tanto o Banco Central quanto a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Segundo o parlamentar, o caso teria provocado prejuízos estimados em mais de R$ 60 bilhões, afetando não apenas investidores privados, mas também fundos de pensão e fundos de previdência.

Paralelamente às investigações, Renan Calheiros apresentou no Senado o Projeto de Lei Complementar nº 30/2026, que propõe mudanças estruturais no funcionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A proposta transforma em lei regras hoje definidas por normas do Conselho Monetário Nacional (CMN) e estabelece novos mecanismos para reduzir riscos no sistema financeiro.

Entre as medidas previstas estão regras mais rígidas contra alavancagem excessiva de instituições financeiras, exigências maiores de liquidez e critérios mais rigorosos para a composição do capital bancário.

Em momento anterior, Renan também mencionora pressões políticas relacionadas ao sistema financeiro, citando tentativas de elevar a cobertura do FGC para R$ 1 milhão, propostas para alterar a lei de independência do Banco Central e episódios envolvendo dirigentes da Caixa Econômica Federal que teriam se recusado a realizar aplicações no Banco Master.

Para o senador, o trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos será decisivo para esclarecer os fatos e fortalecer a regulação do setor.

“No que depender da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, absolutamente tudo será investigado”, afirmou.

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