Inácio Loiola alerta para risco de turismo concentrado em Maceió

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por Redação do Interior

Em um discurso marcado por reflexão e defesa da identidade cultural alagoana, o deputado estadual Inácio Loiola (MDB) fez, nesta quarta-feira (11), um alerta sobre o futuro do turismo em Alagoas. Durante pronunciamento na Assembleia Legislativa, o parlamentar defendeu a interiorização das políticas de promoção turística e advertiu que concentrar a atividade apenas na capital pode levar o estado a repetir um ciclo já vivido por outros destinos do Nordeste.

Segundo ele, Maceió vive hoje um momento de grande projeção nacional e internacional. No entanto, o deputado ressaltou que o crescimento do setor precisa alcançar também o interior, valorizando paisagens, histórias e tradições espalhadas por todo o território alagoano.

Ao lembrar o passado recente do turismo na região, Loiola citou capitais que já ocuparam posição de destaque no Brasil, como Salvador, Recife, Fortaleza e Natal. Para o deputado, a perda gradual de protagonismo desses destinos está ligada à falta de políticas voltadas para a interiorização do turismo.

Na avaliação dele, muitos desses lugares acabaram limitando sua promoção às praias das capitais ou a eventos sazonais, como o carnaval, deixando de apresentar ao mundo outras riquezas culturais e naturais existentes em seus estados.

Loiola destacou que, no caso de Alagoas, o potencial turístico é vasto e diverso. De acordo com o parlamentar, o estado reúne atrativos de norte a sul, do litoral ao sertão. Como exemplo, ele citou o complexo lagunar Mundaú-Manguaba, um dos cenários naturais mais marcantes do estado, que ainda recebe menos atenção turística do que poderia.

Em tom crítico, o deputado comparou a situação com a movimentação turística da Lagoa do Abaeté, em Salvador, um dos pontos mais visitados da capital baiana.

Ao percorrer simbolicamente o mapa de Alagoas em seu discurso, Loiola destacou destinos que, segundo ele, precisam ser mais conhecidos pelo Brasil e pelo mundo. No litoral norte, citou as praias de Maragogi, Japaratinga e São Miguel dos Milagres, mas lembrou também da importância histórica de Porto Calvo, terra associada à figura de Domingos Fernandes Calabar.

No litoral sul, destacou municípios como Barra de São Miguel e a histórica Penedo, além da paisagem imponente da foz do Rio São Francisco.

Já na Zona da Mata, o parlamentar ressaltou a relevância simbólica da Serra da Barriga, localizada em União dos Palmares, território marcado pela memória do Quilombo dos Palmares e pela luta histórica contra a escravidão — um patrimônio que desperta interesse internacional.

No sertão alagoano, ele citou cidades como Piranhas e Pão de Açúcar, além do povoado Ilha do Ferro, conhecido pela tradição artesanal em madeira que atrai visitantes de diferentes partes do país.

Outro destaque foi a região dos Cânions do São Francisco, que abrange municípios como Olho d’Água do Casado e Delmiro Gouveia. Segundo o deputado, trata-se da área que apresentou o maior crescimento proporcional do turismo no Brasil neste século.

Para Loiola, interiorizar o turismo significa mais do que diversificar roteiros: representa reconhecer e valorizar as raízes culturais e históricas do próprio estado.

Ao encerrar o discurso, o deputado recorreu a uma frase do escritor russo Leon Tolstói para sintetizar o sentido de sua defesa.

“O ser humano só é universal quando canta a sua aldeia. E nós, alagoanos, precisamos cantar o nosso Estado para os quatro recantos desse país, para os quatro recantos do planeta Terra”, concluiu.

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