por Redação do Interior
Durante a abertura da sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (11), a ministra Cármen Lúcia fez um alerta sobre a gravidade da violência de gênero no Brasil e defendeu mudanças profundas na sociedade para enfrentar o problema.
Ao abordar o tema, a magistrada avaliou que o país convive com um cenário alarmante de assassinatos de mulheres, fenômeno que, segundo ela, revela um nível de brutalidade incompatível com uma sociedade democrática. Na avaliação da ministra, superar essa realidade exige mais do que ajustes institucionais ou reformas pontuais, sendo necessária uma transformação estrutural na forma como a sociedade encara a violência contra mulheres.
Cármen Lúcia também destacou o papel do Judiciário nesse processo, especialmente a atuação de magistradas em áreas sensíveis do sistema de Justiça. A ministra citou como exemplo o trabalho desenvolvido por juízas em varas especializadas em violência doméstica e em processos envolvendo crianças e adolescentes, ressaltando a postura de cuidado e atenção às vítimas durante as audiências.
Segundo ela, em algumas situações, magistradas chegam a adotar gestos simples, como providenciar alimentação ou criar um ambiente mais acolhedor para crianças que acompanham mães em audiências judiciais. Para a ministra, esse tipo de atitude demonstra um compromisso que ultrapassa a formalidade processual e contribui para humanizar a atuação do sistema de Justiça.
A ministra afirmou ainda que a discussão sobre violência contra mulheres não se limita ao campo das garantias democráticas, mas envolve valores fundamentais ligados à própria condição de humanidade e à construção de uma sociedade verdadeiramente civilizada e livre de violência.
