por Redação do Interior
Cinco integrantes da seleção feminina de futebol do Irã receberam asilo humanitário na Austrália após deixarem o hotel onde estavam hospedadas durante a disputa da Copa da Ásia. A operação de retirada foi realizada com apoio da polícia australiana, que levou as atletas para um local seguro antes da conclusão do processo migratório. As informações foram divulgadas pela agência internacional Reuters.
Entre as jogadoras está a capitã da equipe, Zahra Ghanbari, além de Zahra Sarbali Alishah, Mona Hamoudi, Atefeh Ramezanizadeh e Fatemeh Pasandideh, de 21 anos, a mais jovem do grupo. Todas solicitaram proteção ao governo australiano após um episódio ocorrido durante o torneio continental.
A crise começou quando a equipe iraniana se recusou a cantar o hino nacional antes de uma partida da Copa da Ásia. O gesto aconteceu no contexto de forte tensão internacional, quando ataques aéreos realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã já haviam intensificado o clima político. Após a atitude das atletas, integrantes do time passaram a ser classificadas por autoridades iranianas como “traidoras em tempos de guerra”.
De acordo com a Reuters, veículos de comunicação australianos relataram que o grupo estava sendo acompanhado de perto por representantes do governo iraniano durante a competição, o que incluía monitoramento dos deslocamentos das jogadoras.
As conversas sobre a possibilidade de pedir asilo ocorreram ao longo de vários dias. A retirada das atletas foi realizada na noite de segunda-feira pela Polícia Federal Australiana, que as levou para um local seguro enquanto o processo de concessão de vistos humanitários era finalizado.
Após a conclusão dos trâmites migratórios na madrugada de terça-feira, as atletas passaram oficialmente a contar com a proteção do governo australiano. Segundo autoridades do país, elas permanecem sob acompanhamento das forças de segurança.
Quatro das jogadoras que receberam asilo atuam no clube Bam Khatoon, equipe dominante do futebol feminino iraniano e recordista nacional com 11 títulos. A capitã Zahra Ghanbari, por sua vez, atuou no clube antes de se transferir nesta temporada para o Persepolis.

Ghanbari também é uma das figuras mais conhecidas do futebol feminino do Irã. Em 2024, ela chegou a ser suspensa após o hijab — o véu que todas as atletas iranianas são obrigadas a usar em partidas — escorregar durante a comemoração de um gol em jogo da Liga dos Campeões da Ásia. Na ocasião, a atacante, considerada a maior artilheira da história da seleção feminina iraniana, só foi liberada para voltar a atuar após um pedido formal de desculpas apresentado por ela e pelo clube.
Durante a última partida do Irã na atual Copa da Ásia, contra as Filipinas, o lenço de cabeça da jogadora voltou a escorregar em alguns momentos do jogo. A derrota naquele confronto marcou a eliminação da equipe na competição.
As autoridades australianas informaram ainda que a oferta de asilo permanece aberta para as outras 21 integrantes da delegação iraniana que continuam hospedadas no hotel da equipe na cidade de Gold Coast. Apesar disso, avalia-se que parte das atletas pode optar por retornar ao Irã diante das implicações pessoais e familiares envolvidas na decisão.
