por Redação do Interior
O Irã anunciou a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo da República Islâmica, sucedendo seu pai, Ali Khamenei, morto nos primeiros dias da ofensiva militar lançada por Estados Unidos e Israel contra o país. A decisão foi tomada pela Assembleia de Peritos do Irã, órgão composto por 88 clérigos responsável por escolher a principal autoridade política e religiosa iraniana.
A votação ocorreu na segunda, no horário de Teerã — ainda noite de domingo no Brasil — e confirmou Mojtaba como o terceiro líder supremo desde a criação da República Islâmica do Irã, em 1979. A função concentra o poder máximo do sistema político iraniano e garante ao ocupante do cargo a palavra final em assuntos estratégicos do Estado, como política externa, forças armadas e diretrizes do governo.
Clérigo com influência nas estruturas de segurança e com fortes conexões políticas e econômicas construídas ao longo do governo do pai, Mojtaba já era apontado por analistas como um dos nomes mais fortes para assumir o posto em caso de sucessão. Após o anúncio, veículos da mídia estatal informaram que a liderança das Forças Armadas iranianas declarou lealdade ao novo líder. A Guarda Revolucionária Islâmica também afirmou estar pronta para seguir suas orientações.
A eleição ocorreu em um cenário de extrema tensão. O chefe de segurança do país, Ali Larijani, afirmou que a Assembleia de Peritos se reuniu mesmo sob ameaças de ataques e pediu união nacional em torno da nova liderança.

A sucessão ocorre no momento em que se intensifica o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, que já dura mais de uma semana. Os ataques combinados de Washington e Tel Aviv atingiram diversos alvos no território iraniano.
Segundo o embaixador do Irã na ONU, ao menos 1.332 civis morreram e milhares ficaram feridos desde o início da ofensiva.
Do lado americano, as Forças Armadas informaram que um sétimo militar dos EUA morreu em decorrência dos ferimentos sofridos no contra-ataque inicial iraniano, ocorrido uma semana antes.
Israel afirma que continuará ampliando as operações contra estruturas estratégicas do regime iraniano. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que a campanha militar seguirá em curso com o objetivo de enfraquecer o sistema político iraniano.
Entre os alvos recentes está Abolqasem Babaian, recém-nomeado chefe do gabinete militar do líder supremo, morto em um ataque israelense no sábado.
Bombardeios também atingiram instalações de armazenamento de petróleo próximas à capital Teerã. Moradores relataram colunas de fumaça densa sobre a cidade após explosões que iluminaram o céu durante a noite.
Autoridades iranianas classificaram os ataques contra depósitos de combustível como uma escalada grave do conflito, argumentando que a destruição dessas estruturas libera substâncias tóxicas no ar. Já o governo israelense afirma que esses locais são usados para abastecer o esforço militar do país, incluindo programas de mísseis balísticos.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump reagiu à escolha do novo líder iraniano e indicou que Washington deveria ter influência sobre a sucessão. Antes mesmo do anúncio oficial, Israel havia sinalizado que poderia atacar quem assumisse o posto.
Trump também afirmou que não pretende negociar o fim imediato do conflito, defendendo que a ofensiva continue até que o Irã perca capacidade de resistência militar.
Petróleo dispara e mercados reagem
A escalada da guerra provocou forte impacto no mercado internacional de energia. O temor de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz levou os preços da commodity a disparar.
O barril do petróleo Brent subiu cerca de 17%, chegando a aproximadamente US$ 108,73, após já ter registrado forte alta na semana anterior. Os contratos futuros do petróleo bruto dos Estados Unidos avançaram mais de 20%, atingindo o nível mais alto desde julho de 2022.
A tensão também afetou os mercados financeiros. Os contratos futuros do índice S&P 500 recuaram cerca de 1,6%, enquanto os do Nasdaq caíram aproximadamente 1,7%, refletindo o temor de impacto econômico global e aumento do custo de vida.
Com a confirmação de Mojtaba Khamenei no comando do país e a guerra em expansão, o Irã entra em uma nova fase política e militar, marcada por incertezas internas e crescente pressão internacional.Com informações da Reuters.
