por Redação do Interior
No pronunciamento pelo Dia Internacional da Mulher, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um alerta sobre a violência de gênero no Brasil e anunciou novas ações do governo para enfrentar o feminicídio e ampliar a proteção às mulheres.
Logo no início do discurso, Lula fez um chamado direto à sociedade — especialmente aos homens — para encarar a gravidade do problema.
“Precisamos começar encarando a realidade por mais dura que ela seja”, afirmou, lembrando que a cada seis horas uma mulher é assassinada no país. Segundo ele, cada feminicídio é resultado de uma sequência de agressões muitas vezes silenciosas e naturalizadas dentro do ambiente doméstico.
O presidente ressaltou que, embora o país tenha avançado com instrumentos como a Lei Maria da Penha, o canal de denúncias Disque 180 e a tipificação do feminicídio, os índices de violência ainda são alarmantes.
Durante a fala, Lula também criticou a ideia de que a violência doméstica seria um assunto privado. “Violência contra a mulher não é questão privada onde ninguém mete a colher. É crime. E vamos sim meter a colher”, declarou.
Como resposta ao problema, o governo lançou o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, assinado no Palácio dos Três Poderes. Entre as primeiras medidas anunciadas estão um mutirão do Ministério da Justiça em parceria com os estados para prender mais de 2 mil agressores, o monitoramento eletrônico de homens que possuem medida protetiva e a ampliação das delegacias especializadas de atendimento à mulher.
Outra iniciativa é a criação de um Centro Integrado de Segurança Pública, que deverá reunir dados e monitorar agressores em todo o país. O governo também anunciou a expansão da rede de atendimento às vítimas, com novas unidades da Casa da Mulher Brasileira, que oferecem acolhimento e serviços especializados para mulheres em situação de violência e seus filhos.
Além da segurança, o presidente abordou a desigualdade estrutural enfrentada pelas mulheres. Lula destacou a lei que garante igualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função e defendeu o avanço do debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias por semana com apenas um dia de descanso.
Segundo ele, a mudança permitiria mais tempo para descanso, estudo e convivência familiar, algo que impacta diretamente a vida das mulheres, muitas vezes submetidas a dupla jornada de trabalho.
O presidente também citou programas sociais do governo que, segundo ele, beneficiam especialmente as mulheres, como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Farmácia Popular, além da distribuição gratuita de absorventes para estudantes e mulheres de baixa renda.
Outro tema abordado foi o crescimento das apostas online. Lula afirmou que, embora a maioria dos apostadores seja homem, as consequências recaem frequentemente sobre as mulheres, quando o dinheiro da família é perdido em jogos digitais.
Nos trechos finais do discurso, o presidente também alertou para a violência no ambiente virtual e mencionou a entrada em vigor do Estatuto Digital das Crianças e Adolescentes, que amplia a proteção de meninas e meninos na internet.
Ao encerrar o pronunciamento, Lula afirmou que o objetivo é construir um país onde mulheres possam viver com segurança e liberdade.
“O Brasil que queremos não é um país onde as mulheres apenas sobrevivam. É um país onde elas possam viver em segurança. Quando uma mulher é violentada, é o Brasil que sangra.”
