Fui Desafiado por Crianças e Estou Perdendo

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por Guilherme Moraes

Passei a ter medo de visitar os meus pais. No prédio em que eles moram há duas crianças que devem ter 6 ou 7 anos. Alguns meses atrás, estava sem fazer nada na varanda do apartamento. Olhava a rua e pensava na morte da bezerra, quando então, escuto uma voz infantil vindo do pátio:

— Nós sabemos onde é a porta mágica, e você não!

— É, a gente sabe e você não sabe!

As garotas se vangloriavam por conta de uma porta mágica e que as únicas pessoas que sabiam de tal existência eram elas. Tomado por forte inveja, respondi:

– Mas eu sei onde fica o portão mágico! – Despertando uma incontrolável curiosidade nelas.

– Onde fica esse portão?

– Eu conto se vocês me contarem onde fica a porta.

As garotas aceitaram a troca e logo me disseram onde ficava a porta mágica ( confesso que nem lembro mais).

— Agora é a sua vez de contar!

Inventei uma história qualquer. Falei que se elas achassem uma bicicleta verde, achariam o portão mágico e dei o assunto por encerrado.

Semanas se passaram, estava eu novamente na varanda, até que:

— Nós encontramos a bicicleta e nada de portão!

Desse dia em diante tive que ir aumentando a história a cada vez que nos encontrávamos.

Falei que a bicicleta tinha que ter uma cestinha ( o que parece que tem); que elas precisavam tocar na bicicleta e dar 3 pulinhos depois; e coisas assim.

As meninas não desistiram jamais de encontrar esse portão ( devo admitir que elas são muito persistentes, eu já teria desistido). No entanto, o que antes era um simples desentendimento comunicacional virou ameaça.

– Se nós dermos os três pulinhos e não funcionar, a gente vai aí na sua casa dar uma chinelada em você!

Congelei de pavor, falei que o fato de ser noite impediria a abertura do portão, mas que se elas fizessem isso pela manhã no dia seguinte, era certo que iria funcionar. Menti.

Acho que elas fizeram, e não funcionou, pois ontem às 21 hrs elas bateram na porta da casa exigindo minha presença. Meu pai falou que eu estava dormindo (quando na verdade estava escondido no quarto). Elas aceitaram a resposta, mas deixaram um último registro.

– Nós voltaremos!

(Não consigo descansar desde então…)

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