Democratas acusam governo dos EUA de omitir documentos do caso Epstein que citariam Trump

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por Redação do Interior

Parlamentares do Partido Democrata acusam o governo dos Estados Unidos de não ter divulgado integralmente arquivos ligados ao caso do financista Jeffrey Epstein, morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores. A controvérsia envolve documentos que mencionariam o presidente Donald Trump e que, segundo os deputados, aparecem no índice oficial dos registros, mas não constam na versão pública disponibilizada pelo Departamento de Justiça.

No fim de janeiro, o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) tornou públicos mais de três milhões de documentos relacionados a Epstein. A medida ocorreu após a aprovação da chamada Epstein Files Transparency Act, aprovada quase por unanimidade pelo Congresso e que determinou ampla abertura dos arquivos, preservando apenas exceções legais específicas.

O impasse surgiu porque, apesar do volume expressivo de material divulgado, o pacote inclui um índice que faz referência a cerca de 50 páginas que não teriam sido liberadas. Entre elas estariam relatórios conhecidos como “302” — memorandos do Federal Bureau of Investigation (FBI) que resumem entrevistas conduzidas durante investigações criminais.

Os registros ausentes dizem respeito a uma denúncia feita ao FBI em 2019, pouco depois da prisão de Epstein. Na ocasião, uma mulher afirmou ter sido apresentada a Trump pelo financista nos anos 1980 e declarou ter sofrido abuso sexual quando tinha entre 13 e 15 anos.

A acusação já havia sido mencionada em ações coletivas movidas contra Epstein, das quais a denunciante acabou desistindo posteriormente. Até o momento, as alegações não foram corroboradas por provas públicas, e o advogado da mulher não comentou o caso à imprensa norte-americana.

Epstein morreu ainda em 2019, na prisão, em um caso oficialmente classificado como suicídio pelas autoridades médicas.

Explicações divergentes

O Departamento de Justiça informou inicialmente que apenas materiais classificados ou duplicados deixaram de ser divulgados. Posteriormente, acrescentou que parte do conteúdo pode estar vinculada a investigação federal em andamento, o que justificaria a retenção temporária.

Democratas contestam essa versão. O deputado Robert Garcia, integrante graduado do House Oversight Committee, afirmou ter analisado registros não editados e sustentou que o governo pode ter omitido entrevistas do FBI relacionadas à denunciante. O grupo anunciou a abertura de uma investigação parlamentar paralela para apurar se houve descumprimento da lei de transparência.

Trump manteve relação social com Epstein por cerca de 15 anos. Segundo o presidente, o vínculo foi rompido em 2004, dois anos antes de a polícia de Palm Beach, na Flórida — onde ambos tinham propriedades — iniciar as primeiras investigações formais contra o financista. Em 2008, Epstein foi condenado por delitos menores ligados à prostituição e passou a integrar o registro de criminosos sexuais.

O presidente norte-americano nega qualquer envolvimento nos crimes atribuídos ao ex-amigo ou conhecimento prévio das acusações. A Casa Branca sustenta que ele não tem responsabilidade nos fatos investigados e classifica as denúncias como infundadas.

É correto afirmar que a simples menção de um nome em registros ou agendas de Epstein não implica, por si só, culpa ou participação em crimes. Ainda assim, o episódio amplia as tensões políticas em Washington, em um cenário de forte polarização.

O centro da disputa agora é a execução da lei aprovada pelo Congresso. Caso fique comprovado que documentos listados oficialmente foram omitidos sem justificativa legal adequada, o episódio pode aprofundar o embate institucional entre o Legislativo e o Departamento de Justiça — com reflexos diretos sobre a Casa Branca e o debate público nos Estados Unidos.

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