Temporais deixam rastro de mortes e destruição na Zona da Mata; cidades decretam calamidade

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por Redação do Interior

A Zona da Mata mineira enfrenta uma tragédia provocada por chuvas intensas que atingiram principalmente Juiz de Fora e Ubá. Em Juiz de Fora, o número de mortos chegou a 24, segundo dados municipais, enquanto o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais contabiliza 28 vítimas nas duas cidades — 21 no primeiro município e sete no segundo. Mais de 3 mil pessoas ficaram desabrigadas.

Diante da dimensão dos estragos, a prefeita Margarida Salomão decretou estado de calamidade pública ainda na madrugada de terça-feira (24). A medida foi reconhecida pelo governo federal. As aulas foram suspensas em todas as escolas da rede municipal, e três unidades passaram a funcionar como abrigo para famílias que perderam suas casas.

Os maiores danos em Juiz de Fora se concentram no bairro Parque Jardim Burnier. Um trecho da via principal cedeu e provocou o desabamento de cerca de 12 imóveis. Oito mortes foram registradas apenas nessa área. Há ao menos 20 desaparecidos, entre eles uma criança e dois adolescentes, e os bombeiros trabalham na busca de pelo menos 12 pessoas que podem estar soterradas. As operações seguem durante a noite, sem interrupção.

Moradores do bairro relataram que o solo apresentava sinais de instabilidade desde domingo (22), quando sentiram o chão tremer. Cerca de 24 horas depois, ocorreu o deslizamento que devastou a região. Ao todo, a prefeitura estima pelo menos 20 soterramentos de imóveis, especialmente na área sudeste da cidade. A Defesa Civil municipal registrou 251 ocorrências relacionadas às chuvas.

Rios que cortam Juiz de Fora estão tomados por lama, e as encostas exibem grandes áreas de terra exposta após os deslizamentos. Na tarde de terça-feira, um novo alerta de chuva foi enviado aos celulares pela Defesa Civil estadual, causando apreensão entre moradores e equipes de resgate, enquanto uma forte precipitação voltava a atingir a região.

Em Ubá, seis pessoas morreram após o transbordamento de um rio na noite de segunda-feira (23). A Avenida Beira Rio ficou completamente inundada. A mobilização começou ainda na madrugada, com voluntários auxiliando nas buscas com ferramentas manuais. A ação conjunta contribuiu para o resgate de sobreviventes e a localização de vítimas.

Pontos de acolhimento foram montados poucas horas após o temporal. Salas de aula foram transformadas em centros de doações, com roupas, alimentos e produtos de limpeza. Animais de estimação também foram recebidos nos abrigos, e um cachorro resgatado conseguiu reencontrar a tutora.

No âmbito federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou prioridade à assistência humanitária, ao restabelecimento de serviços essenciais e ao apoio à reconstrução das áreas atingidas. O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, anunciou suporte direto às prefeituras, com antecipação do Benefício de Prestação Continuada (BPC), do Bolsa Família e acesso ao programa habitacional Minha Casa, Minha Vida para famílias que perderam moradia.

O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, informou que equipes da Defesa Civil Nacional estão sendo deslocadas para reforçar o atendimento na região.Com a previsão de novas instabilidades, o temor de novos deslizamentos mantém moradores e autoridades em alerta permanente na Zona da Mata.

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