por Redação do Interior
O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) apontou a necessidade urgente de construção de uma nova sede para o Batalhão de Polícia de Radiopatrulha Montada (BPRMon), a Cavalaria da Polícia Militar de Alagoas, após inspeção realizada na terça-feira (24), no bairro Chã da Jaqueira, em Maceió.
De acordo com o órgão ministerial, as condições estruturais atuais não oferecem segurança adequada ao efetivo e evidenciam que a reforma do prédio não seria suficiente para solucionar os problemas. A avaliação é de que a deterioração atingiu um nível que compromete a viabilidade de recuperação do imóvel, tornando indispensável a construção de um novo espaço para abrigar o batalhão especializado.
A vistoria integra o calendário anual de fiscalizações nas unidades da Segurança Pública, conforme diretrizes do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Durante a inspeção, foram constatadas infiltrações severas, fiações expostas, vergalhões aparentes, portas danificadas, ausência de piso adequado em alguns ambientes e áreas com teto cedendo. A proximidade do período chuvoso agrava ainda mais o cenário, com registro de alagamentos internos.
Relatório técnico da Defesa Civil estadual, elaborado em 2024 após provocação do próprio Ministério Público, já havia apontado deterioração estrutural de grau elevado, ausência de equipamentos de prevenção a incêndio e pânico e riscos à saúde dos militares, devido à presença de mofo e fungos provocados pela umidade constante.
Há um processo administrativo em tramitação que prevê investimento de R$ 14 milhões para a construção de uma nova sede no mesmo terreno, nos fundos da estrutura atual. O MPAL informou que irá cobrar agilidade na execução do projeto, inclusive quanto à necessidade de suplementação orçamentária, para evitar que a obra sofra atrasos ou fique apenas no papel.

A preocupação do Ministério Público se baseia em experiências anteriores na área da Segurança Pública. A reforma do Quartel-Geral da Polícia Militar, por exemplo, enfrentou sucessivos atrasos: o laudo da Defesa Civil foi emitido em 2018, mas as obras só começaram em 2022, com orçamento estimado em R$ 7,8 milhões. A demora resultou na dispersão de setores administrativos em imóveis alugados, o que impacta a eficiência da gestão.
Além da situação da Cavalaria, o MP também demonstrou preocupação com o prédio do hospital da Polícia Militar, atualmente desativado e em deterioração, e com as estruturas da Corregedoria e do Comando de Policiamento da Capital, que podem sofrer agravamento com as chuvas.
Ao final do ciclo de inspeções, o Ministério Público deverá apresentar um balanço consolidado com as irregularidades identificadas e as medidas recomendadas. No caso da Cavalaria, porém, a posição já é clara: a construção de uma nova sede deixou de ser uma alternativa e passou a ser tratada como medida urgente para garantir segurança, dignidade ao efetivo e continuidade adequada do serviço prestado à população.
