Ex-embaixador britânico Peter Mandelson é preso em investigação ligada a Jeffrey Epstein

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por Redação do Interior

A Polícia Metropolitana de Londres prendeu nesta segunda-feira (23/02/2026) o veterano político trabalhista Peter Mandelson, ex-embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, de 72 anos, em conexão com investigações sobre o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein. Mandelson é suspeito de má conduta no exercício de cargo público, em um caso que reacende a crise política provocada pelos arquivos de Epstein. A detenção ocorre quatro dias após a prisão do ex-príncipe Andrew, também investigado por vínculos com o bilionário pedófilo.

Mandelson é uma figura histórica do Partido Trabalhista, tendo ocupado diversos cargos ministeriais e desempenhado papel central na era do Novo Trabalhismo, ao lado de Tony Blair e Gordon Brown. Em dezembro de 2024, foi nomeado embaixador britânico nos Estados Unidos pelo primeiro-ministro Keir Starmer, uma decisão que gerou críticas e questionamentos sobre o julgamento político do premiê.

Documentos recentes, provenientes dos arquivos de Epstein, indicam que Mandelson manteve contato próximo com o financista mesmo após sua condenação em 2008, algo que ele havia minimizado publicamente. Entre as evidências, há trocas de e-mails em que Mandelson alertava Epstein sobre:

  • A possível venda de um grande portfólio de imóveis do governo britânico a preços vantajosos durante a crise financeira de 2009;
  • Pacotes de ajuda financeira da União Europeia destinados a economias em dificuldade;
  • Sugestões para que Epstein utilizasse sua influência junto ao então ministro da Fazenda, Alistair Darling, a fim de impedir o aumento de impostos sobre bônus de banqueiros.

Se confirmadas, essas ações configurariam vazamento de informações confidenciais do governo e constituiriam crime.

Repercussão política e consequências

  • Demissão: Starmer retirou Mandelson do cargo de embaixador em 2025, após a divulgação dos e-mails que revelaram a profundidade de sua relação com Epstein.
  • Pressão política: A nomeação e demissão de Mandelson provocaram críticas internas e externas, levantando dúvidas sobre o julgamento do primeiro-ministro.
  • Desculpas públicas: Starmer se desculpou perante vítimas de Epstein, afirmando ter sido “enganado” sobre a extensão da relação entre Mandelson e o criminoso.
  • Impacto empresarial: O escritório de consultoria de Mandelson, Global Counsel, entrou em administração devido à perda de clientes e ao impacto reputacional.

A prisão de Mandelson amplia o impacto das revelações dos arquivos de Epstein, que continuam a desencadear investigações internacionais e a expor conexões políticas sensíveis no Reino Unido.

Apelidado entre seus associados de “Príncipe das Trevas” por sua habilidade estratégica e política, Mandelson tem trajetória profundamente ligada à história do Partido Trabalhista. Foi Diretor de Comunicações de Neil Kinnock, amigo e conselheiro de Harold Wilson na juventude, e neto de Herbert Morrison, ministro no governo de Ramsay MacDonald e figura central no desenvolvimento do estado de bem-estar social britânico.

Sua suposta traição, ao se envolver em atividades com Epstein enquanto ocupava cargos de confiança, provocou uma rebelão interna no Partido Trabalhista, quase custando a estabilidade do governo Starmer e evidenciando divisões históricas entre as facções do partido.

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