por Redação do Interior
A tarde deste domingo (22) transformou a Rua da Aurora, no Centro do Recife, em um grande arraial a céu aberto. Vestidos com trajes xadrez, chapéus de palha e bandeirolas improvisadas, milhares de forrozeiros acompanharam a primeira edição da “Drilha de São João Gomes”, comandada pelo cantor pernambucano João Gomes.
O artista subiu ao trio elétrico por volta das 13h30 e puxou o cortejo que percorreu ruas do Centro até a Avenida Norte. A programação começou ao meio-dia com um trio de apoio. O principal seguiu animando o público até as 19h, com concentração em frente ao Ginásio Pernambucano.
No repertório, sucessos autorais como “Eu Tenho a Senha” se misturaram a hits de convidados, a exemplo de “Coladin”, de Zé Vaqueiro. Ao longo do percurso, casais dançaram forró agarradinho enquanto grupos organizados executavam passos tradicionais das quadrilhas juninas, como o túnel. A canção “Frevo Mulher” também ganhou espaço, em dueto com Nena Queiroga, simbolizando o encontro entre o ciclo carnavalesco e o junino.
Além de Zé Vaqueiro e Nena, a Drilha contou com participações de Dorgival Dantas, MC Don Juan e Ruan Vaqueiro, entre outros artistas. Mestrinho, que divide com João Gomes e Jota.pê o projeto “Dominguinho”, também integrou a programação.
A Drilha marca o pontapé inicial do projeto “São João Gomes”, iniciativa que pretende realizar, entre fevereiro e junho, uma série de eventos voltados ao período junino. Entre as ações anunciadas estão o show “Pé de Serrita”, com circulação prevista por cidades do Nordeste, e a “Vila São João Gomes”, que deverá ter edições internacionais. As datas e locais ainda serão divulgados.
Segundo a organização, a proposta é resgatar a tradição dos trios elétricos de forró que movimentavam as prévias juninas em diversas cidades do interior pernambucano entre os anos 1990 e o início dos anos 2000. Um dos grandes expoentes daquele período foi o cantor Elifas Júnior, conhecido como o “Rei das Drilhas”.
Minutos antes da saída do cortejo, durante coletiva no Novotel — ponto de concentração do evento — João Gomes destacou a dimensão cultural da iniciativa.
“Nosso coração fica feliz de falar sobre o forró, de falar sobre a nossa cultura”, afirmou.
Para ele, a festa vai além do entretenimento e fortalece a presença das tradições nordestinas no centro da capital pernambucana.
O cantor também declarou o desejo de consolidar a Drilha no calendário anual do Recife e de aproximar as novas gerações do forró e de instrumentos como a sanfona. Entre os planos futuros, revelou o sonho de criar uma escola de acordeão na cidade, inspirada em experiências já desenvolvidas no interior do estado.
De acordo com João Gomes, o planejamento do evento começou ainda no ano passado, com reuniões para estruturar o calendário e firmar parcerias. A meta é antecipar a organização das próximas edições e transformar a Drilha em um anúncio permanente da chegada do São João.
