por Redação do Interior
O ex-príncipe britânico Andrew, Duque de York foi preso na manhã desta quinta-feira (19), data em que completa 66 anos, sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público. A detenção foi confirmada pela Thames Valley Police, que conduz a investigação.
Em comunicado, a corporação informou ter colocado sob custódia “um homem de cerca de 60 anos de Norfolk” e realizado buscas simultâneas em endereços nos condados de Berkshire e Norfolk. Imagens divulgadas pela imprensa britânica mostram ao menos seis viaturas chegando à propriedade de Sandringham, onde Andrew vivia temporariamente após ter deixado sua residência em Windsor.
Suspeita envolve repasse de material confidencial
A investigação ganhou força após a análise de um novo lote de documentos relacionados ao financista americano Jeffrey Epstein, divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos no início de 2026.
De acordo com as autoridades, a suspeita central é que Andrew, enquanto atuava como enviado especial para o comércio internacional em 2010, teria compartilhado informações financeiras confidenciais do governo britânico com Epstein — incluindo dados ligados às relações do Reino Unido com Hong Kong e Singapura. Caso confirmado, o vazamento pode configurar o crime de má conduta em cargo público, cuja pena pode variar de meses de prisão à prisão perpétua, dependendo da gravidade.
A polícia britânica não detalhou quais elementos específicos motivaram a prisão nem se o ex-príncipe já foi formalmente interrogado. Pela legislação local, ele pode permanecer sob custódia por até 24 horas antes de eventual acusação formal, prazo que pode ser estendido em circunstâncias específicas.

Arquivos ampliam pressão
Entre os mais de três milhões de arquivos tornados públicos nos EUA estão fotografias e trocas de e-mails que reforçam a proximidade entre Andrew e Epstein. Em uma das mensagens de agosto de 2010, Epstein menciona o envio de uma mulher russa de 26 anos para um encontro em Londres com alguém identificado como “O Duque” — referência que autoridades acreditam apontar para Andrew.
Também vieram à tona imagens do ex-príncipe ao lado de uma mulher não identificada, em circunstâncias que geraram forte repercussão pública, embora sem contextualização clara sobre data e local.
Outro documento, de 2020, mostra que o Departamento de Justiça dos EUA solicitou formalmente cooperação britânica para entrevistar Andrew, afirmando que ele poderia ter sido “testemunha e/ou participante” de eventos relevantes à investigação sobre Epstein e sua associada Ghislaine Maxwell, condenada por tráfico sexual.
Andrew sempre negou qualquer irregularidade. Ele afirma nunca ter testemunhado ou suspeitado de crimes cometidos por Epstein e rejeita as acusações de envolvimento em conduta imprópria.
Histórico de controvérsias
Os vínculos entre Andrew e Epstein estão sob escrutínio desde 2019, quando o ex-príncipe anunciou seu afastamento das funções públicas após intensa pressão. A crise se aprofundou em 2022, quando ele fechou um acordo extrajudicial com Virginia Giuffre, que o acusava de abuso sexual quando tinha 17 anos. O acordo foi firmado sem admissão de culpa.

Mensagens divulgadas recentemente também mostram trocas de e-mails entre Epstein e Sarah Ferguson, ex-esposa de Andrew, tratando de encontros e projetos empresariais. Não há indicação de irregularidades nesses contatos.
Epstein foi encontrado morto em 2019 em uma prisão de Nova York; a investigação oficial concluiu que foi suicídio.
Reação oficial e impacto na monarquia
Horas antes da prisão, o primeiro-ministro Keir Starmer declarou à BBC que “ninguém está acima da lei”, em referência às investigações envolvendo o ex-príncipe.
Em nota divulgada pelo Palácio de Buckingham, o rei Charles III afirmou ter recebido a notícia “com profunda preocupação” e destacou que “a lei deve seguir seu curso”. O monarca declarou ainda apoio integral às autoridades responsáveis pelo caso.
Andrew já havia sido destituído de seus títulos militares e patronatos reais em outubro de 2025 e afastado definitivamente de funções públicas. Apesar disso, ele permanece na linha de sucessão ao trono.
Ainda não está claro quais acusações formais poderão ser apresentadas nem qual será a estratégia da promotoria britânica. A polícia também não confirmou se novas frentes investigativas — incluindo eventuais desdobramentos ligados a tráfico sexual — poderão surgir a partir da análise dos arquivos.
A prisão de Andrew representa o momento mais delicado para a monarquia britânica em décadas e coloca pressão direta sobre a capacidade institucional da Casa Real de atravessar um escândalo que, desde 2019, vem corroendo sua imagem pública.
