por Redação do Interior
A UEFA abriu procedimento disciplinar para investigar as denúncias de racismo registradas no confronto entre Benfica e Real Madrid, pelos playoffs da UEFA Champions League 2025/2026, disputado no Estádio da Luz, em Lisboa.
A decisão foi tomada após o atacante Vinícius Júnior relatar ter sido alvo de ofensas racistas supostamente proferidas pelo argentino Gianluca Prestianni, jogador da equipe portuguesa. Um inspetor independente de Ética e Disciplina foi designado para conduzir a apuração.
Em nota, a entidade europeia informou que os relatórios oficiais da partida estão em análise e que eventuais sanções serão divulgadas após a conclusão do processo.
“Os relatórios oficiais dos jogos disputados ontem à noite estão, neste momento, a ser analisados. Caso seja reportado algo, serão abertas as respetivas investigações e, caso essas levem a sanções disciplinares, essas serão anunciadas no site da UEFA. Não temos mais informações ou comentários a fazer neste momento”, informou a Uefa.
Confusão após o gol
O episódio ocorreu logo depois de Vinícius marcar o gol da vitória do Real Madrid por 1 a 0. Na comemoração, com dança próxima à bandeirinha de escanteio e diante da torcida do Benfica, o brasileiro foi cercado por adversários, o que desencadeou um princípio de tumulto. O árbitro francês François Letexier aplicou cartão amarelo ao atacante.
Minutos depois, Vini relatou ao juiz ter sido alvo de manifestação racista em campo. Letexier acionou imediatamente o protocolo antirracismo da Uefa, interrompendo a partida por cerca de dez minutos. O jogador recebeu apoio dos companheiros, entre eles Kylian Mbappé e Aurélien Tchouaméni. O técnico do Benfica, José Mourinho, também conversou com o brasileiro durante a paralisação.
Após a retomada, Vinícius foi alvo de vaias constantes, e objetos foram arremessados em sua direção.
Acusação e negativa
Nas redes sociais, Vinícius afirmou ter denunciado Prestianni por racismo. Mbappé confirmou a versão do companheiro e detalhou o que teria presenciado em campo:
“Depois o número 25 começou a dizer palavras inaceitáveis. Colocou a camisa na boca para que as câmeras não captassem o que ele dizia e repetiu cinco vezes que Vini é um macaco. Eu, Vini e muitos jogadores perdemos o controle. Isso é inaceitável.”
O atacante francês revelou ainda que o elenco cogitou não retornar ao gramado diante da gravidade do episódio e defendeu punição exemplar.
Prestianni negou as acusações.
“Nunca fui racista com ninguém. Ele interpretou mal o que pensou ter ouvido. Lamento as ameaças que recebi”, declarou o argentino.
Repercussão no Brasil
O caso ultrapassou o ambiente esportivo e ganhou dimensão política. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, manifestou apoio ao jogador:— “Racismo não se tolera — no futebol ou fora dele. É inaceitável e não pode ser tratado com indiferença.”
No Senado, o alagoano Renan Calheiros também se posicionou de forma enfática, destacando o papel do Brasil no enfrentamento jurídico à discriminação racial:
“O Brasil tem leis rigorosas e exemplares para combater o racismo e a injúria racial. Como senador da terra de Zumbi, repudio enfaticamente o ato racista contra o jogador Vini Jr. O mundo inteiro precisa adotar leis severas para punir os racistas.”
A referência do parlamentar é a Zumbi dos Palmares, símbolo histórico da resistência negra e figura central da identidade de Alagoas.
A súmula do árbitro François Letexier deverá detalhar oficialmente os fatos registrados na partida. A depender das conclusões do inspetor designado pela Uefa, o caso pode resultar em punições disciplinares ao atleta envolvido e outras medidas previstas no regulamento da competição.
