por Guilherme Moraes
Entre tamborins, alegorias e a pulsação coletiva do carnaval, a Marquês de Sapucaí tornou-se, nesta semana, palco de um acontecimento que ultrapassou fronteiras. O desfile da Acadêmicos de Niterói, dedicado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ganhou destaque em veículos de imprensa da Europa e das Américas e ampliou o debate sobre os limites entre cultura popular, memória política e atualidade.
A rede francesa TV5MONDE apontou que esta teria sido a primeira vez que uma escola de samba homenageou diretamente um presidente em exercício, ressaltando o caráter inédito da apresentação dentro do carnaval carioca. Para o canal, o desfile evidenciou a dimensão simbólica da festa e suas históricas aproximações com a política brasileira.
Na Argentina, o periódico El Destape abriu sua cobertura com o verso “olé, olé, olá, Lula, Lula”, jingle da campanha presidencial de 1989. O jornal destacou a presença de um grande boneco do presidente envolto pela bandeira do Brasil e afirmou que o enredo buscou narrar a trajetória do mandatário com foco na superação e na esperança, transformando a biografia política em narrativa carnavalesca.
Já a BBC informou que a homenagem marcou o primeiro dia de desfiles do carnaval do Rio de Janeiro. A emissora britânica destacou que o samba-enredo percorreu episódios da vida de Lula — da infância no Nordeste brasileiro à atuação sindical e à eleição presidencial — apresentando ao público internacional uma síntese histórica construída em ritmo de bateria.
Nos Estados Unidos, o Washington Post também repercutiu a noite na Sapucaí e observou que homenagens a figuras políticas em exercício podem levantar questionamentos jurídicos, apontando possíveis riscos legais relacionados ao desfile e abrindo espaço para discussões sobre os limites entre arte, política e legislação eleitoral.
Com forte repercussão internacional, a apresentação da Acadêmicos de Niterói colocou a escola no centro do noticiário estrangeiro e reforçou a capacidade do carnaval carioca de transformar acontecimentos nacionais em narrativa global — um espaço onde a história recente é cantada, interpretada e disputada sob as luzes da avenida.
