PF aponta menções a ministro do STF e a políticos com foro em celular do dono do Banco Master

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por Redação do Interior

O envio de um relatório da Polícia Federal (PF) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, abriu uma nova frente de desgaste institucional no caso Banco Master. O documento reúne informações extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira, e inclui menções ao ministro Dias Toffoli, atual relator do processo no Supremo.

A referência ao nome de Toffoli nos arquivos periciados aumentou as discussões internas na Corte sobre a conveniência de sua permanência na relatoria. De forma reservada, ministros admitem que o episódio eleva a pressão sobre o tribunal e insere o caso em um patamar mais sensível do ponto de vista político.

Ainda assim, a avaliação predominante é a de que qualquer decisão deve aguardar o rito formal do pedido de suspeição e a manifestação do próprio relator.

A PF solicitou a Fachin que declare Toffoli suspeito para conduzir o inquérito. O gabinete do ministro reagiu em nota, afirmando que o pedido se baseia em “ilações” e que a corporação não tem legitimidade jurídica para requerer a suspeição, por não ser parte no processo, conforme prevê o artigo 145 do Código de Processo Civil. Toffoli informou que apresentará resposta formal ao presidente da Corte.

Não foram divulgados detalhes do conteúdo integral do relatório entregue à Presidência do STF. Entre os elementos citados nas investigações, porém, estão mensagens que fariam referência a pagamentos envolvendo o nome do ministro. O primo de Vorcaro, Fabiano Zettel — também alvo das apurações — aparece nas conversas mencionando esses repasses.

Ministro Dias Toffoli quando ocupava a presidência do STF

A interlocutores, Toffoli afirmou que recebeu valores da empresa Maridt após a venda de sua participação indireta no resort Tayayá a um fundo ligado a Vorcaro. Segundo o ministro, ele é sócio da Maridt há vários anos. A empresa, que detinha 33% do empreendimento, é uma sociedade anônima de livro fechado, modelo em que os acionistas não são divulgados publicamente. De acordo com o magistrado, as transferências foram lícitas, ocorreram ao longo de anos, foram declaradas à Receita Federal e possuem origem e destino rastreáveis. Ele também sustenta que o fundo posteriormente vendeu as ações com lucro, dentro da legalidade.

A defesa de Daniel Vorcaro afirmou, em nota, que vê com preocupação o “vazamento seletivo de informações”, apontando risco de constrangimentos indevidos, construção de narrativas equivocadas e prejuízo ao direito de defesa.

Além das menções ao ministro, a perícia no celular de Vorcaro identificou trocas de mensagens com parlamentares com foro privilegiado, incluindo deputados, senadores e ao menos um presidente de partido político, em conversas desde 2022. Parte do conteúdo havia sido apagada, mas foi recuperada pelos peritos. Também há referências a parlamentares em diálogos entre Vorcaro e Fabiano Zettel.

Segundo a CNN Brasil, pessoas envolvidas nas investigações descrevem o volume de citações como uma “tempestade” de menções a políticos, comparando o impacto potencial ao das delações de executivos da Odebrecht no auge da Lava Jato.

Do ponto de vista processual, a presença de autoridades com prerrogativa de foro praticamente consolida a permanência do caso no STF, afastando a possibilidade de envio à primeira instância. A definição sobre o futuro da relatoria dependerá do procedimento conduzido pela Presidência da Corte e do teor da manifestação de Toffoli. Ministros avaliam que decisões precipitadas poderiam aprofundar a crise institucional, em vez de contê-la.

O Banco Master é investigado por suspeitas de fraudes na concessão de crédito e na emissão de títulos, em um esquema que a PF classifica como bilionário. Vorcaro foi preso em novembro de 2025 ao tentar deixar o país, no mesmo mês em que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição.

Com a combinação de suspeitas financeiras, menções a integrantes do Judiciário e citações a parlamentares, o caso avança como um dos mais delicados em tramitação no Supremo.

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