por Redação do Interior
A confiança da população brasileira nas instituições públicas apresentou crescimento significativo nos últimos três anos, segundo levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Entre 2022 e 2025, a confiança no Governo federal subiu 12 pontos percentuais, alcançando 38% — o maior avanço registrado na América Latina e no Caribe no período. Os resultados foram apresentados na segunda-feira (9) em evento promovido pela Controladoria-Geral da União (CGU) em parceria com a OCDE.
O estudo OECD Survey on Drivers of Trust in Public Institutions in Latin America and the Caribbean mostra que, em apenas três anos, o Brasil deixou patamares próximos ou abaixo da média regional e passou a registrar índices de confiança superiores à média da região em diversos indicadores. O país lidera, por exemplo, a confiança no sistema eleitoral, com 48%, nove pontos acima da média latino-americana.
Outro avanço relevante é a confiança no serviço público, que praticamente dobrou no período, chegando a 45%, 10 pontos acima da média regional. A avaliação positiva sobre serviços públicos administrativos subiu 22 pontos percentuais, alcançando 54%. Já a satisfação com a educação pública atingiu 45%, crescimento de 15 pontos — o maior registrado na América Latina. O Sistema Único de Saúde (SUS) também teve aumento na percepção de qualidade, chegando a 44%, acima da média regional.
A percepção de igualdade no acesso a benefícios públicos também melhorou. Hoje, 48% dos brasileiros afirmam que os pedidos são tratados de forma justa, aumento de 15 pontos percentuais em relação a 2022, enquanto a média regional é de 36%. A confiança na capacidade do governo de implementar melhorias foi de 42%, índice superior à média da América Latina e à dos países da OCDE, impulsionada, segundo o estudo, pela atuação dos Conselhos de Usuários de Serviços Públicos.
O relançamento do Programa Bolsa Família também é citado pela OCDE como fator que contribuiu para o aumento da confiança, dado seu histórico de redução da pobreza e desigualdade.
Integração entre serviços públicos, participação social e integridade
O ministro da CGU, Vinicius Marques de Carvalho, destacou que o crescimento da confiança é essencial para a consolidação da democracia e para o avanço de políticas públicas voltadas à redução de desigualdades, ao crescimento econômico e à integridade pública. Ele atribuiu parte do resultado à digitalização de serviços e ao aumento da participação social nos últimos anos, citando iniciativas da Presidência da República e do próprio órgão.
Para a diretora de Governança Pública da OCDE, Elsa Pilichowski, o desempenho brasileiro é notável não apenas pelos números, mas também pela rapidez do avanço.
“A confiança em todas as instituições públicas aumentou, e a percepção da integridade também evoluiu positivamente em todos os indicadores”, afirmou.
Patricia Alvares de Azevedo, secretária de Integridade Pública da CGU, reforçou que o fortalecimento da confiança depende da combinação entre serviços públicos mais eficientes, maior participação social e integridade.
“A integridade pública não se resume a combater desvios, mas a melhorar políticas e garantir que elas cheguem a quem precisa”, disse.
Celina Pereira, secretária-adjunta para Transformação do Estado do MGI, destacou que o crescimento da confiança demonstra maior efetividade do Executivo.
“Boas políticas e serviços públicos fortalecem o Estado e a democracia, tornando a vida das pessoas melhor”, afirmou.
Gabriela Lotta, pesquisadora da FGV, acrescentou que os dados indicam que o Brasil possui instituições capazes de resistir a tentativas de ruptura democrática.
Metodologia e iniciativas da CGU
A pesquisa ouviu cerca de 2 mil brasileiros, representando diferentes regiões e perfis socioeconômicos, e combinou levantamento de opinião com modelos estatísticos avançados para identificar fatores que influenciam a confiança, como integridade, capacidade de resposta, confiabilidade, abertura e equidade.
Entre as ações da CGU que impactaram os resultados estão o canal Fala.BR, o Portal da Transparência, programas de integridade, ouvidorias, diálogo com o setor privado e o robô ALICE, ferramenta de inteligência artificial voltada ao monitoramento preventivo de licitações, contratos e editais. Entre 2023 e 2025, o ALICE contribuiu para uma economia de R$ 5,3 bilhões, mais de cinco vezes superior aos resultados de 2020 a 2022, que somaram R$ 980 milhões.
O evento também contou com a participação da analista de políticas da OCDE, Mariana Prats, que discutiu desafios para manter a trajetória de crescimento da confiança e comparou o desempenho brasileiro com o de outros países da região.
