por Redação do Interior
O Ministério Público de Alagoas (MPAL) formalizou, nesta sexta-feira (6), denúncia criminal contra uma babá investigada por agredir um menino com Transtorno do Espectro Autista (TEA), em Arapiraca, no Agreste do estado. A acusação foi apresentada pela Promotoria da Infância e da Juventude e enquadra a conduta como crime de tortura-castigo, com base na gravidade dos fatos apurados ao longo da investigação.
As denúncias começaram a ser apuradas em janeiro deste ano, após a família da criança relatar episódios sucessivos de violência. A babá havia sido contratada em junho de 2025 e era responsável por buscar o menino na escola e levá-lo até a residência dela, localizada no bairro Brasília. A vítima possui autismo em nível 3 de suporte, condição considerada severa, e não se comunica verbalmente.
Segundo informações reunidas pelo MPAL, a mãe passou a suspeitar da situação após ser alertada pela escola sobre alterações no comportamento da criança quando estava na presença da cuidadora. Em seguida, familiares receberam gravações feitas por vizinhos, nas quais a babá aparece dirigindo ameaças e palavras agressivas ao menino.
Após o registro do caso na polícia, o Ministério Público instaurou procedimento preliminar, acionou o Conselho Tutelar e solicitou a atuação da Polícia Civil para aprofundar as diligências. A promotora responsável pelo caso, Viviane Farias, apontou que os depoimentos colhidos indicam que a denunciada teria submetido a criança, de forma consciente e reiterada, a agressões físicas e verbais, além de ameaças, configurando tortura praticada como forma de castigo.
As investigações também reuniram relatos de que a acusada teria mencionado a intenção de matar o menino. O exame de corpo de delito confirmou a presença de lesões no corpo da criança, confirmando as suspeitas. Ainda conforme os autos, há descrições de episódios de extrema violência, incluindo a suposta imposição para que o menino ingerisse material fecal, além de agressões que teriam causado danos físicos e emocionais significativos.
A repercussão do caso provocou forte indignação em Arapiraca. Em janeiro, a residência da babá foi cercada por moradores após a divulgação das denúncias nas redes sociais, o que levou a Polícia Militar a intervir para preservar a integridade da mulher. Apesar de todos terem sido conduzidos à Central de Flagrantes, não houve registro formal de ameaça, já que não foi possível identificar autores específicos.
Para o Ministério Público, o episódio evidencia a necessidade de atenção permanente e denúncia imediata de qualquer violação de direitos de crianças e adolescentes, sobretudo aquelas em situação de maior.
