Estado precisa agir antes do feminicídio, afirma ministra Márcia Lopes ao lançar pacto com os Três Poderes

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por Redação do Interior

O enfrentamento à violência contra a mulher ganhou um novo marco institucional nesta semana com o lançamento do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, iniciativa que reúne Executivo, Legislativo e Judiciário em uma estratégia conjunta para prevenir crimes de gênero e acelerar a proteção às mulheres em situação de risco.

Em entrevista ao programa A Voz do Brasil, nesta quinta-feira (5), a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou que o principal desafio do país é chegar antes da violência extrema.

“O Estado precisa chegar antes do feminicídio. E, para isso, a participação de todos é fundamental”, destacou.

O pacto foi oficializado na quarta-feira (4) como resposta ao cenário alarmante de violência de gênero no Brasil, onde quatro mulheres são vítimas de feminicídio a cada 24 horas. A proposta busca dar mais agilidade ao cumprimento de medidas protetivas, fortalecer redes de atendimento e garantir que o sistema público funcione de forma integrada em todo o território nacional.

Celeridade, acolhimento e combate às desigualdades

Segundo a ministra, o acordo estabelece compromissos objetivos, como a celeridade nos processos judiciais, a garantia de que mulheres consigam registrar boletins de ocorrência sem resistência institucional e o acolhimento humanizado nas delegacias.

Ela ressaltou que o pacto considera as múltiplas vulnerabilidades enfrentadas por mulheres indígenas, em situação de rua e, especialmente, mulheres negras, que sofrem de forma mais intensa os impactos do racismo estrutural e da desigualdade social.

“Estamos falando de um plano de ação integrado entre os Três Poderes, que reconhece que não há como enfrentar o feminicídio sem combater também o racismo, o machismo e os preconceitos que atravessam o Estado”, afirmou.

Para Márcia Lopes, o diferencial do pacto é o compromisso político explícito.

“Quando dizemos ‘todos por todas’, isso deixa de ser discurso vazio e passa a representar um compromisso ético real. É um pacto de unidade”, pontuou.

Liderança do presidente e envolvimento dos homens

A ministra destacou que a construção do pacto foi impulsionada diretamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desde a recriação do Ministério das Mulheres, em 2023. Segundo ela, Lula assumiu a liderança da mobilização ao reconhecer que o enfrentamento à violência de gênero não pode recair apenas sobre as vítimas.

“O presidente sempre disse que não fazia sentido as mulheres, além de vítimas, terem que lutar sozinhas. Quem precisa assumir esse enfrentamento, especialmente, são os homens”, relatou.

A partir dessa diretriz, o governo passou a articular propostas e documentos até consolidar a ideia de um pacto institucional, envolvendo os três níveis de poder e dialogando com estados e municípios — realidade considerada essencial em um país com 5.570 municípios e 27 unidades federativas.

Futebol, grandes eventos e aumento da violência

Durante a entrevista, Márcia Lopes também falou sobre a campanha “Feminicídio Zero – Nenhuma violência contra a mulher deve ser tolerada”, que vem sendo levada a estádios de futebol em parceria com a CBF e clubes de todo o país.

A ministra alertou que dados oficiais indicam que, em dias de jogos, os casos de violência contra a mulher podem aumentar em até 25%.

“Futebol não combina com violência. Violência é crime”, reforçou.

Segundo ela, a estratégia é envolver jogadores, torcedores e dirigentes na conscientização e na prevenção, transformando o esporte em uma ferramenta de mobilização social.

Carnaval, denúncia e mobilização nacional

Com a proximidade do Carnaval, o Ministério das Mulheres também intensificou ações de prevenção em ambientes de grande aglomeração. A campanha deste ano traz o slogan “Se liga ou eu ligo 180”, incentivando denúncias por meio do canal nacional de atendimento à mulher.

Materiais informativos, como adesivos, viseiras e outros itens de comunicação, estão sendo distribuídos em todo o país para reforçar a mensagem de que a festa deve ser sinônimo de alegria, não de violência.

Além disso, o governo prepara uma ampla programação para o mês de março, com ações articuladas junto a escolas, unidades de saúde, universidades, empresas, sindicatos e serviços de assistência social.

“Nós precisamos identificar essas mulheres antes que a tragédia aconteça. O Estado tem a responsabilidade de coordenar políticas, garantir atendimento, financiar serviços e proteger vidas”, concluiu a ministra.

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