Lula promove jantar com Hugo Motta e líderes da Câmara

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por Redação do Interior

Em meio a um cenário de desgaste na relação entre o Palácio do Planalto e a Câmara dos Deputados ao longo de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu, na noite desta quarta-feira (4), o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e líderes partidários para um jantar político na Granja do Torto, em Brasília. O encontro foi interpretado nos bastidores como um gesto claro de reaproximação institucional e tentativa de reorganizar a base de apoio do governo no Legislativo.

A iniciativa partiu da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e teve como pano de fundo a necessidade do Executivo de reduzir resistências internas e criar um ambiente mais previsível para a tramitação de pautas consideradas estratégicas pelo governo federal. Participaram do encontro líderes de partidos da base aliada e representantes do centrão, grupo que tem se mostrado decisivo em votações-chave no Congresso.

A reunião ocorreu após um ano marcado por atritos entre o Planalto e a presidência da Câmara, especialmente em debates envolvendo mudanças tributárias, projetos de impacto fiscal e matérias que enfrentaram forte resistência do Legislativo. O jantar, de caráter informal, foi descrito por interlocutores como uma tentativa de “virar a página” e restabelecer canais diretos de diálogo entre Lula e os parlamentares.

No centro das conversas estiveram propostas que o governo pretende destravar em 2026. Entre elas, a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 sem redução salarial, promessa de campanha de Lula que enfrenta objeções no setor empresarial, e a regulamentação do trabalho por aplicativos, considerada uma das agendas mais sensíveis da atual legislatura. Também entrou na pauta a necessidade de apoio parlamentar para a ratificação de acordos internacionais, com destaque para o tratado entre Mercosul e União Europeia.

Além do conteúdo legislativo, o encontro teve forte componente político. O governo busca reorganizar sua base em um ano eleitoral, quando Lula deve disputar a reeleição. Ter uma Câmara menos hostil é visto como fundamental para evitar derrotas sucessivas e reduzir o custo político de negociações futuras, especialmente diante da fragmentação partidária e do peso crescente do centrão nas decisões do Congresso.

Inicialmente, a ideia era incluir também senadores no encontro, mas o formato acabou restrito à Câmara dos Deputados. Segundo aliados do Planalto, um jantar semelhante com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deve ocorrer após o Carnaval, como parte da estratégia de recomposição mais ampla das relações institucionais.

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