por Redação do Interior
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as apurações sobre o rombo financeiro envolvendo o Banco Master representam uma oportunidade inédita para responsabilizar grandes operadores de esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro no país. Segundo ele, o caso pode alcançar figuras influentes do meio empresarial, financeiro e político, historicamente protegidas por estruturas de poder.
Em entrevista à jornalista Daniela Lima, da TV UOL, Lula declarou que o prejuízo sob investigação pode se configurar como o maior já registrado na história econômica brasileira. Para o presidente, o momento exige mobilização total das instituições públicas para garantir transparência e responsabilização.
“É uma chance extraordinária de identificar e punir os magnatas da corrupção e da lavagem de dinheiro. Não importa se envolve político, partido, governador, banco ou empresário. Quem participou disso vai ter que responder”, afirmou.
Alerta sobre riscos à economia
Lula destacou que o caso não se resume a um problema isolado do sistema bancário, mas pode representar uma ameaça direta à estabilidade econômica do país. Segundo ele, a sociedade precisa conhecer quem são os responsáveis por operações financeiras que provocam prejuízos de grande escala.
“Essas pessoas aparecem na imprensa como especialistas, opinando sobre governo e economia, mas podem estar por trás de um rombo que coloca o Brasil em risco”, declarou o presidente.
Apuração sem proteção política
O presidente afirmou não ter informações concretas sobre o envolvimento de agentes políticos específicos, mas reforçou que não haverá qualquer tipo de blindagem durante as investigações. De acordo com Lula, a determinação do governo é ir até o fim, independentemente de quem seja atingido.
“Não sei se tem partido, governador, deputado, senador ou prefeito envolvido. O que existe é uma ordem clara: investigar tudo, até as últimas consequências, para que isso nunca mais aconteça”, disse.
Reunião com banqueiro e papel institucional
Ao comentar o encontro que teve com André Vorcaro, controlador do Banco Master, Lula afirmou que reuniões com representantes do sistema financeiro fazem parte das atribuições do cargo e não indicam proximidade pessoal ou favorecimento.
“Recebo bancos como Itaú, Bradesco, Santander, BTG, entre outros. Isso é institucional”, explicou.
Segundo o presidente, a reunião ocorreu quando o então ministro Guido Mantega levou Vorcaro a Brasília. Lula disse que convocou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, além do ministro da Casa Civil, Rui Costa, que já conhecia o banqueiro.
Durante o encontro, Vorcaro teria alegado estar sofrendo perseguição e afirmou que havia interesses em derrubá-lo. Lula relatou que deixou claro que não haveria interferência política no caso.
“Eu disse que não existiria posição política a favor ou contra o Banco Master. A apuração seria técnica, conduzida pelo Banco Central”, afirmou.
Banco Central e Procuradoria no centro das apurações
Lula ressaltou que cabe ao Banco Central analisar se houve quebra da instituição, irregularidades financeiras ou práticas de lavagem de dinheiro, sem qualquer interferência do governo.
“A política não entra nisso. Quem decide é a competência técnica do Banco Central”, disse.
O presidente afirmou ainda que acionou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente do Banco Central para que apresentassem suas avaliações à Procuradoria-Geral da República (PGR).
“Encaminhamos tudo à PGR porque estamos diante da primeira chance real de responsabilizar os grandes operadores desse tipo de crime”, afirmou.
Defesa de Lewandowski
Durante a entrevista, Lula também defendeu o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski, alvo de questionamentos pelo fato de seu escritório de advocacia ter atuado na defesa do Banco Master antes de ele assumir o Ministério da Justiça.
“O Lewandowski é um dos maiores juristas que o Brasil já teve. Empresas em dificuldade contratam bons juristas, isso é absolutamente normal”, afirmou.
Segundo Lula, Lewandowski já havia deixado o STF quando firmou contrato com o banco e rompeu o vínculo ao ser convidado para integrar o governo federal.
“Não existe nenhum problema nisso”, ressaltou.
Aplicação de recursos públicos sob suspeita
O presidente afirmou que as investigações precisam esclarecer por que governos estaduais, como os do Rio de Janeiro e do Amapá, aplicaram recursos de fundos ligados a trabalhadores no Banco Master.
“Queremos saber por que dinheiro dos trabalhadores foi parar nesse banco, qual a relação existente entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) e quem está envolvido nessas operações”, afirmou.
Ao concluir, Lula reafirmou que o governo não recuará diante da complexidade do caso. “O mais importante é deixar claro que vamos a fundo nessa investigação”, finalizou.
