Lula aposta nos avanços sociais, na redução da desigualdade e no crescimento econômico para pacificar o país

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por Redação do Interior

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou que o Brasil atravessa um momento de maior estabilidade política e social como resultado direto dos avanços econômicos e das políticas públicas implementadas desde o início de seu terceiro mandato, em 2023. A declaração foi feita nesta quinta-feira (5), durante entrevista ao portal UOL, concedida à jornalista Daniela Lima, no Palácio do Planalto.

Segundo Lula, mesmo com o ambiente de disputa política em torno das eleições de 2026, o país apresenta sinais concretos de pacificação. Para ele, a melhoria das condições de vida da população e a retomada da credibilidade internacional contribuem para fortalecer a democracia.

“O Brasil tem hoje o maior aumento real do salário mínimo, o maior crescimento da massa salarial, inflação controlada de forma contínua por quatro anos, a Bolsa em alta e um volume expressivo de investimentos estrangeiros”, afirmou.

O presidente destacou ainda que, apenas em janeiro, o país recebeu cerca de R$ 26 bilhões em investimentos externos e registrou a maior taxa de participação da população economicamente ativa.

Lula ressaltou que o Brasil voltou a ser respeitado no cenário internacional.

“É um país que dialoga com a China, com os Estados Unidos e com o mundo”, disse.

Polarização política não é exclusividade do Brasil

Ao comentar a divisão política no país, o presidente relativizou o fenômeno e afirmou que a polarização é característica das democracias ao redor do mundo. Ele lembrou que o Brasil já viveu disputas semelhantes em outros períodos históricos.

“Sempre foi dividido. Houve a divisão entre Arena e MDB. Isso acontece na Alemanha, na Espanha, nos Estados Unidos, na França. As democracias funcionam com blocos políticos que disputam projetos”, avaliou.

Democracia e verdade como prioridades

Lula afirmou que, neste momento, sua principal preocupação não é o calendário eleitoral, mas o cumprimento dos compromissos assumidos com a população. Segundo ele, até junho continuará percorrendo o país para entregar obras, programas e políticas públicas.

“O que eu quero é criar uma consciência de que a verdade precisa prevalecer e de que o regime democrático precisa ser preservado”, disse.

O presidente voltou a afirmar que considera missão central de seu governo garantir que a população tenha condições básicas de vida, como alimentação adequada, e assegurar o funcionamento das instituições democráticas.

“Se eu terminar o mandato com o povo tomando café, almoçando e jantando, e com a democracia funcionando plenamente, terei cumprido as grandes metas da minha vida”, afirmou.

Isenção do Imposto de Renda amplia renda dos trabalhadores

Durante a entrevista, Lula destacou a ampliação da isenção do Imposto de Renda como uma das principais conquistas do atual mandato. Desde 1º de fevereiro, mais de 15 milhões de brasileiros passaram a ser totalmente isentos do tributo ao receber até R$ 5 mil por mês. Também houve redução do desconto para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350.

“O impacto disso é enorme. Uma professora que ganha R$ 5 mil terá um ganho anual de cerca de R$ 4.800. É praticamente um 14º salário”, explicou.

Segundo o presidente, o custo da medida será compensado pela tributação das camadas mais ricas da população.

“Quem paga a conta são cerca de 110 mil brasileiros que têm renda muito elevada e podem contribuir mais”, afirmou.

Governo defende fim da escala 6×1

Outro tema abordado por Lula foi a defesa do fim da escala de trabalho 6×1, apontada como uma das prioridades do governo no Congresso Nacional em 2026. Para o presidente, as mudanças tecnológicas e o aumento da produtividade tornam necessário repensar a jornada de trabalho no país.

“Com todo o avanço tecnológico, não faz sentido manter a mesma jornada de 40 anos atrás”, disse.

Lula afirmou que a juventude e as mulheres buscam mais equilíbrio entre trabalho, estudo e vida familiar.

“Não é razoável exigir que as pessoas saiam de casa às cinco da manhã e retornem só à noite, enfrentando transporte lotado. A produção aumentou, e as pessoas querem mais tempo para viver”, declarou.

O presidente ressaltou que a mudança exigirá diálogo amplo.

“O governo vai conversar com o Congresso, com empresários e com trabalhadores. Não é uma decisão unilateral, mas está na hora de o Brasil discutir seriamente a redução da jornada”, afirmou.

Enfrentamento ao feminicídio

Lula também comentou a assinatura do Pacto Nacional Contra o Feminicídio, firmada na quarta-feira (4) pelos presidentes dos Três Poderes da República. Segundo ele, o acordo representa um marco no combate à violência contra mulheres e meninas no país.

“Foi um gesto histórico. A luta contra a violência não é apenas das mulheres, é da sociedade inteira”, afirmou.

O presidente destacou que o pacto prevê ações educativas voltadas especialmente aos homens, além do fortalecimento da aplicação das leis já existentes.

Após a assinatura, uma comissão formada por representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário passará a elaborar propostas para tornar mais efetiva a aplicação das normas aprovadas, como a Lei Maria da Penha.

Otimismo com o futuro do país

Ao final da entrevista, Lula demonstrou confiança no futuro econômico do Brasil. Ele citou a menor taxa de desemprego da história recente, a inflação dentro da meta e o potencial de crescimento em setores estratégicos.

“O Brasil está pronto para se transformar em um país de alto valor agregado, com mais tecnologia, mais produção, entrando de vez na era da inteligência artificial e dos data centers”, concluiu.

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