Renan Calheiros lidera investigação do Senado sobre Banco Master

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por Redação do Interior

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, assumiu a condução da investigação sobre a crise do Banco Master, anunciando um plano de trabalho que prevê a requisição de todos os documentos disponíveis, inclusive sigilosos, com base na Lei Complementar 105/2001. O objetivo é detalhar as operações financeiras irregulares e identificar agentes públicos e políticos que possam ter protegido a fraude, considerada a maior do setor financeiro brasileiro nos últimos anos.

Segundo Calheiros, a investigação terá caráter técnico e institucional, sem depender de aval externo, e abrangerá inquéritos da Polícia Federal, processos do Banco Central, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), do Tribunal de Contas da União (TCU) e demais órgãos envolvidos.

De acordo com o presidente da CAE, a fraude do Master se desenvolveu por meio de títulos podres e certificados de despesa (CDBs), desviando-se dos depósitos bancários tradicionais. O fundo mais relevante da instituição, chamado por Calheiros de “fundo do poço”, teria sido protegido por estruturas políticas e relações promíscuas, permitindo retardar ou até reverter a liquidação do banco.

Parte dos documentos já teve sigilo parcialmente quebrado pelo ministro do STF Dias Toffoli, que liberou depoimentos da investigação. O Senado espera que o sigilo completo seja levantado para que a sociedade possa acompanhar integralmente os trabalhos.

O plano de Calheiros organiza a investigação em frentes simultâneas, que incluem: visitas formais a autoridades e órgãos de supervisão do sistema financeiro; convocação de dirigentes e operadores do mercado; audiências públicas temáticas; eventual contratação de auditorias independentes; requisição de documentos sigilosos e apoio técnico das consultorias do Senado.

A primeira etapa prevê encontros institucionais com Edson Fachin (STF), Gabriel Galípolo (Banco Central), Andrei Rodrigues (diretor-geral da Polícia Federal) e Vital do Rêgo Filho (TCU), considerados essenciais para evitar conflitos institucionais e delimitar o alcance das investigações.

As audiências públicas abordarão temas como a liquidação extrajudicial do Banco Master, a atuação do Banco Central e da CVM, o papel do FGC no ressarcimento a investidores e a responsabilidade das auditorias externas.

Ao final, a CAE consolidará um relatório com conclusões e recomendações, que pode gerar propostas legislativas para reforçar a fiscalização do sistema financeiro.

Nesta quarta-feira (4), às 10h, Calheiros instalará um grupo de trabalho da CAE para acompanhar oficialmente as investigações. A iniciativa foi formalizada pela Instrução Normativa n° 1/2026 e terá como integrantes:Alessandro Vieira (MDB-SE), Damares Alves (Republicanos-DF), Eduardo Braga (MDB-AM), Esperidião Amin (PP-SC), Fernando Farias (MDB-AL), Leila Barros (PDT-DF) e Randolfe Rodrigues (PT-AP).

O senador Eduardo Braga destacou que o grupo modtra o compromisso do Senado com a transparência e integridade do sistema financeiro, garantindo que quaisquer irregularidades sejam apuradas.

A condução da apuração pela CAE, sob liderança de Renan Calheiros, é vista como alternativa mais ágil e técnica do que a abertura imediata de uma CPI, permitindo avançar nas investigações e manter interlocução com o Judiciário e órgãos de controle, mesmo com requerimentos de CPI tramitando paralelamente.

Segundo fontes do Senado, o plano liderado por Calheiros pretende destravar o caso Master, analisando desde os ativos mais complexos até a rede de proteção política que teria permitido a continuidade da fraude, garantindo total transparência e rigor técnico na investigação.

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