por Redação do Interior
Na manhã desta terça‑feira (3), a unidade de crimes cibernéticos do Ministério Público de Paris deflagrou uma operação de busca e apreensão nos escritórios franceses da plataforma de mídia social X, propriedade do bilionário Elon Musk. A ação ocorre no âmbito de uma investigação criminal abrangente, aberta em janeiro de 2025, que apura supostas irregularidades no funcionamento da rede social e em seus mecanismos de inteligência artificial e recomendação de conteúdo.
O órgão judiciário francês disse que a investigação, além de questões relacionadas à interferência e viés algorítmico, foi ampliada para incluir possíveis crimes como conivência na distribuição de imagens pornográficas envolvendo menores e a disseminação de deepfakes sexuais explicítos, além de conteúdos envolvendo negação de crimes contra a humanidade e manipulação de sistemas automatizados de processamento de dados.
Segundo a promotoria, o operativo desta terça‑feira foi conduzido com apoio da Europol e da própria unidade de crimes cibernéticos da polícia francesa como parte de um inquérito em andamento.
Intimação de Musk e ex‑CEO
Paralelamente às buscas, o Ministério Público de Paris convocou Elon Musk e a ex‑CEO da X, Linda Yaccarino, para prestarem esclarecimentos em audiências voluntárias marcadas para 20 de abril de 2026, em Paris. Outros funcionários da empresa também foram intimados para depor na mesma semana como testemunhas.
Segundo comunicado oficial, essas citações têm caráter de “entrevista voluntária” e fazem parte da tentativa de obter explicações sobre o funcionamento interno da plataforma e as medidas adotadas para garantir conformidade com a legislação francesa.
Origens e evolução da investigação
A investigação foi iniciada após denúncias de um parlamentar francês sobre um viés no algoritmo de recomendação do X, que pode ter alterado o funcionamento de sistemas automatizados de processamento de dados. Posteriormente, a apuração foi ampliada diante de novas queixas relacionadas ao papel do chatbot de inteligência artificial Grok — integrado à plataforma — em gerar conteúdo sensível e controvertido, incluindo deepfakes e postagens com negação do Holocausto.
Esses conteúdos, acessíveis por meio de recursos automáticos da IA, teriam circulado na rede social, inflando preocupações sobre a moderação e responsabilidade da empresa.
Em operações anteriores, executivos da plataforma chegaram a classificar investigações semelhantes como “motivações políticas”, negando irregularidades e defendendo a liberdade de expressão dos usuários.
A promotoria francesa, por sua vez, anunciou que, a partir de agora, deixará de usar a própria plataforma X para comunicações oficiais, optando por migrar sua presença para outras redes sociais como LinkedIn e Instagram.
Embora nenhum executivo tenha sido ainda formalmente acusado, a intimação de Musk e Yaccarino e as buscas realizadas hoje representam um avanço significativo na investigação, que agora abrange não apenas suspeitas relacionadas a algoritmos e moderação de conteúdo, mas também possíveis violações de leis penais estritas em território francês.
Essas etapas podem pressionar a plataforma a demonstrar conformidade com normas nacionais, sob o risco de sanções mais severas caso irregularidades sejam confirmadas. O caso também ocorre em um momento de crescente escrutínio regulatório na Europa sobre práticas de grandes empresas de tecnologia.
A audiência de Musk e Yaccarino em abril será um marco importante para os próximos capítulos desta investigação, que ainda está em fase preliminar e pode se estender por meses, com potenciais desdobramentos judiciais e regulatórios internacionais.
