Menino de 5 anos detido pelo ICE apresenta sinais de depressão e piora na saúde, dizem familiares e congressista

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por Redação do Interior

A detenção do menino equatoriano Liam Conejo Ramos, de apenas 5 anos, junto com o pai em uma operação do Serviço de Imigração e Controle Aduaneiro dos Estados Unidos (ICE), passou a gerar ainda mais repercussão após relatos de abatimento emocional, apatia e problemas de saúde enquanto a criança permanece sob custódia do governo americano.

As informações foram divulgadas após visita do congressista democrata Joaquin Castro ao centro de detenção familiar de Dilley, no Texas, onde pai e filho estão mantidos desde que foram presos em Minnesota, no dia 20 de janeiro. Segundo Castro, o menino aparentava estar deprimido, triste e emocionalmente desligado, com comportamento incompatível com o esperado para sua faixa etária.

“O que mais me chamou atenção foi o quanto ele dorme e o quanto parecia pouco alerta”, relatou o parlamentar, que associou o quadro a um possível impacto psicológico da detenção. O congressista afirmou que o menino demonstrava sinais claros de abatimento emocional, em um ambiente considerado inadequado para crianças pequenas.

Quadro de saúde preocupa família

Além das mudanças emocionais, familiares relataram que Liam passou a apresentar sintomas físicos, como febre, dores no estômago, episódios de vômito e recusa alimentar. A mãe da criança afirmou que o menino não tem se alimentado adequadamente e atribuiu parte da piora à qualidade da comida oferecida na unidade de detenção.

Pessoas próximas da família também apontam alterações comportamentais. O menino tem feito perguntas recorrentes sobre objetos pessoais usados no dia da detenção, como a mochila e o gorro, além de questionar sobre a mãe, a escola e a rotina anterior, o que especialistas interpretam como sinais de confusão, ansiedade e sofrimento emocional.

Operação do ICE e controvérsia pública

O caso ganhou dimensão nacional após denúncias feitas pelo distrito escolar de Columbia Heights, em Minnesota. Segundo autoridades educacionais, Liam foi apreendido por agentes do ICE logo após sair da escola, em uma operação que teria como alvo o pai da criança. A escola afirma que esta foi a quarta detenção de um menor de idade apenas em um mês em ações migratórias na região.

Educadores e lideranças comunitárias acusam os agentes de terem mantido o menino sob custódia mesmo havendo adultos disponíveis para assumir temporariamente sua guarda, o que, na avaliação do distrito, configura violação de protocolos de proteção à infância e potencial trauma psicológico.

O Departamento de Segurança Interna (DHS), responsável pelo ICE, nega irregularidades. A versão oficial sustenta que o pai teria fugido ao perceber a abordagem, “abandonando” o menino, e que a custódia da criança ocorreu exclusivamente por motivos de segurança. O órgão, no entanto, não comentou especificamente sobre o estado emocional ou físico do garoto.

Justiça suspende deportação

Em meio à crescente pressão pública, a Justiça federal dos Estados Unidos decidiu suspender temporariamente a deportação de Liam e de seu pai, Adrian Alexander Conejo Arias. A liminar foi concedida na segunda-feira (26) pelo juiz Fred Biery, do Distrito Oeste do Texas, que proibiu qualquer remoção do país ou transferência da família enquanto o processo judicial estiver em andamento.

A ação questiona a legalidade da detenção e da tentativa de deportação, apontando ausência de ordem formal de remoção e possíveis violações do devido processo legal. Advogados afirmam que o pai possui um pedido de asilo em tramitação, o que reforçou a decisão judicial de manter a família no país até análise do mérito.

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