por Redação do Interior
O mercado de trabalho brasileiro encerrou 2025 com os melhores resultados desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012. A taxa de desemprego registrada em dezembro foi de 5,1%, o menor patamar observado em pelo menos 13 anos, consolidando um cenário de forte expansão da ocupação e crescimento da renda no país.
Na média do ano, a taxa de desocupação recuou para 5,6%, abaixo dos 6,6% registrados em 2024, atingindo também o menor nível anual da série. O resultado reflete uma trajetória consistente de queda do desemprego ao longo de 2025, sustentada principalmente pela ampliação do número de pessoas ocupadas, especialmente nos setores de serviços.
A população ocupada alcançou um novo recorde histórico, com 103 milhões de pessoas em 2025, ante 101,3 milhões no ano anterior. Em comparação com o início da série, em 2012, quando havia 89,3 milhões de ocupados, o crescimento evidencia uma expansão significativa do mercado de trabalho. O nível de ocupação — proporção de pessoas ocupadas em relação à população em idade de trabalhar — também atingiu o maior valor da série, chegando a 59,1% em 2025.
Outro indicador relevante foi a redução da subutilização da força de trabalho. O contingente de pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas ou disponíveis para trabalhar caiu 10,8% em relação a 2024, passando de 18,7 milhões para cerca de 16,6 milhões de pessoas. Apesar da queda expressiva, o número ainda permanece ligeiramente acima do menor patamar da série, registrado em 2014, com 16,3 milhões. Nos anos mais críticos da pandemia de Covid-19, esse contingente havia ultrapassado 31 milhões de pessoas.

Com esse movimento, a taxa composta de subutilização da força de trabalho ficou em 14,5% em 2025, o menor percentual da série histórica. Em 2024, o índice era de 16,2%, enquanto nos anos de 2020 e 2021 chegou a superar 28%, refletindo os impactos da crise sanitária sobre o emprego.
A melhora do mercado de trabalho foi acompanhada por avanços expressivos na renda. O rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas foi estimado em R$ 3.560, valor 5,7% superior ao de 2024. Já a massa de rendimento real habitual alcançou R$ 361,7 bilhões no ano, o maior volume já registrado, com crescimento de 7,5% em relação ao ano anterior, o que representa um acréscimo de R$ 25,4 bilhões.
O aumento da ocupação foi puxado, sobretudo, por atividades de maior qualificação e formalização, como informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, além do conjunto formado pela administração pública, defesa, educação, saúde e serviços sociais. Esses segmentos concentram trabalhadores com maior escolaridade, vínculos mais estáveis e rendimentos mais elevados, contribuindo para a elevação do rendimento médio.
Além disso, a política de valorização do salário mínimo teve impacto positivo sobre os ganhos em setores mais elementares e menos formalizados, espalhando o crescimento da renda por diferentes formas de inserção no mercado de trabalho.

O emprego com carteira assinada no setor privado também atingiu patamar recorde. Em 2025, o número de trabalhadores formais chegou a 38,9 milhões, crescimento de 2,8% em relação a 2024, o que representa cerca de 1 milhão de novos postos com carteira assinada em um ano. Em sentido oposto, o número de empregados sem carteira no setor privado recuou levemente, passando de 13,9 milhões para 13,8 milhões.
O contingente de trabalhadores domésticos apresentou queda de 4,4%, totalizando 5,7 milhões de pessoas. Já o trabalho por conta própria alcançou o maior nível da série histórica, com 26,1 milhões de pessoas, alta de 2,4% frente a 2024 e crescimento de mais de 30% em relação a 2012.
Como resultado dessas mudanças, a taxa de informalidade caiu de 39,0% em 2024 para 38,1% em 2025. Apesar da redução, o índice ainda revela a forte presença estrutural da informalidade no mercado de trabalho brasileiro, especialmente em atividades de comércio e serviços de menor complexidade.
No recorte do quarto trimestre de 2025, a taxa de desocupação manteve o mesmo patamar de 5,1%, registrando queda tanto em relação ao trimestre imediatamente anterior quanto na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado é o menor já observado para trimestres móveis comparáveis desde 2012.

Entre outubro e dezembro, o contingente da força de trabalho foi estimado em 108,5 milhões de pessoas, permanecendo estável. Na comparação trimestral, houve crescimento da ocupação no comércio e na administração pública, enquanto outros grupamentos não apresentaram variações significativas. Na comparação anual, destacaram-se os avanços nas atividades de informação, comunicação e serviços financeiros, além da administração pública, educação e saúde, enquanto os serviços domésticos seguiram em retração.
Os dados consolidam 2025 como um ano histórico para o mercado de trabalho brasileiro, marcado por desemprego em níveis mínimos, recordes de ocupação e expansão consistente da renda do trabalho
