Bruce Springsteen lança canção contra ICE e denuncia violência policial em Minneapolis

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por Redação do Interior

O cantor e compositor Bruce Springsteen, de 76 anos, lançou nesta quarta-feira (28) a música “Streets of Minneapolis”, uma canção de protesto criada como resposta direta à escalada de violência policial e às ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) na cidade de Minneapolis. A faixa é dedicada “ao povo da cidade, aos imigrantes inocentes” e em memória de Alex Pretti e Renee Good, mortos durante operações federais neste mês.

A canção foi composta, gravada e lançada em apenas quatro dias, segundo o próprio artista. Em mensagem divulgada junto com o lançamento, Springsteen afirmou que escreveu a música no sábado, gravou na terça-feira (27) e decidiu torná-la pública imediatamente diante do que classificou como “terror de Estado” em curso na cidade de Minnesota.

“Defenderemos esta terra e o estrangeiro entre nós. Lembraremos os nomes daqueles que morreram nas ruas de Minneapolis”, diz um dos versos centrais da canção.

Com pouco mais de quatro minutos e meio de duração, Streets of Minneapolis mantém o estilo característico de Springsteen, misturando rock e folk. A música começa de forma acústica e evolui para uma sonoridade mais intensa, incorporando coros de protesto e referências diretas à atuação das forças federais.

Ao longo da letra, o músico chama o ICE de “exército particular do Rei Trump”, em referência direta ao presidente Donald Trump, e acusa os agentes de “pisotearem direitos” sob o pretexto de cumprir a lei. A canção também questiona as versões oficiais apresentadas pelas autoridades para justificar as mortes ocorridas durante as operações.

Springsteen menciona nominalmente integrantes do governo, como Stephen Miller, conselheiro presidencial ligado à política migratória, e Kristi Noem, secretária de Segurança Interna, cujo nome passou a ser alvo de críticas e pedidos de responsabilização após os episódios de violência.

Quem eram Alex Pretti e Renee Good

A música cita explicitamente as vítimas que se tornaram símbolos dos protestos em Minneapolis. Renee Good, de 37 anos, era poetisa e mãe de filhos pequenos. Ela foi morta no dia 7 de janeiro, durante uma ação do ICE na cidade.

Já Alex Pretti, também de 37 anos, era enfermeiro de UTI e morreu no sábado, 24 de janeiro, após ser atingido por disparos de agentes federais durante confrontos relacionados à presença do governo federal na cidade. As autoridades alegaram legítima defesa, versão contestada por familiares, testemunhas e movimentos sociais.

Ambos os casos seguem sob investigação e ampliaram a pressão pública sobre o Departamento de Segurança Interna e a Casa Branca.

Minneapolis como cenário e símbolo

A letra da canção faz referência direta à Avenida Nicollet, uma das principais vias de Minneapolis e local onde Alex Pretti foi baleado. Springsteen usa o rigoroso inverno da cidade — que enfrentou temperaturas abaixo de -20°C após a passagem da tempestade tropical Fern — como metáfora para a repressão e o clima político.

Em um jogo de palavras, o artista associa o frio extremo ao nome do próprio ICE, criando imagens de uma cidade dividida entre “fogo e gelo”, violência e resistência. “Havia pegadas ensanguentadas onde deveria ter havido misericórdia”, canta Springsteen, ao descrever o cenário deixado após os confrontos.

Repercussão e engajamento político

A música foi disponibilizada no site oficial do artista, além de plataformas como Spotify e YouTube, onde ultrapassou 100 mil visualizações nas primeiras três horas. O lançamento reforça a longa trajetória de engajamento político de Springsteen, conhecido por canções que abordam injustiça social, racismo e violência do Estado, como American Skin (41 Shots).

Com Streets of Minneapolis, o músico volta a usar sua obra como instrumento de denúncia e solidariedade, em um momento de forte tensão social nos Estados Unidos, marcado por protestos, prisões arbitrárias e críticas crescentes à política migratória do governo federal.

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