por Redação do Interior
Os números da pesquisa do instituto Paraná Pesquisas revelam um dado central para a sucessão presidencial de 2026: Lula permanece como o principal polo de gravidade do sistema político, com capacidade de liderar o primeiro turno e sustentar desempenho competitivo mesmo nos cenários mais adversos do segundo turno.
No primeiro turno, Lula aparece na dianteira em todos os cenários estimulados. Quando o senador Flávio Bolsonaro (PL) é incluído na disputa, o presidente registra 39,8% das intenções de voto, contra 33,1% do adversário. Bem atrás aparecem Ratinho Júnior (PSD), com 6,5%, Ronaldo Caiado (PSD), com 3,7%, Romeu Zema (Novo), com 2,8%, Renan Santos (Missão), com 1,5%, e Aldo Rebelo (DC), com 1,1%. Brancos, nulos e eleitores que não souberam opinar somam 11,5%.
No cenário sem Flávio Bolsonaro e com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Lula amplia levemente a vantagem e chega a 40,7%, enquanto Tarcísio marca 27,5%. Na sequência aparecem Ronaldo Caiado, com 6,6%, Romeu Zema, com 4,4%, Renan Santos, com 2,0%, e Aldo Rebelo, com 1,4%. Nesse cenário, o índice de brancos, nulos e indecisos sobe para 17,4%, evidenciando um contingente relevante de eleitores ainda em disputa.
Apesar de os confrontos diretos no segundo turno com Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas aparecerem tecnicamente empatados, o recorte detalhado do levantamento aponta uma vantagem qualitativa de Lula, sustentada por bases sociais amplas, diversificadas e historicamente decisivas em eleições nacionais.
No embate com Flávio Bolsonaro, Lula registra 44,8%, contra 42,2% do senador, diferença dentro da margem de erro. O presidente lidera entre mulheres, jovens de até 24 anos, eleitores acima dos 44 anos e beneficiários de programas de transferência de renda. Trata-se de um conjunto social numeroso e altamente mobilizável, que combina voto de opinião, voto de memória e voto econômico — três vetores que tendem a ganhar força com a aproximação do pleito.
O dado ganha ainda mais relevância quando se observa que Lula também lidera tanto entre a população economicamente ativa quanto entre os não economicamente ativos, desmontando a narrativa de que seu apoio estaria restrito apenas aos segmentos mais vulneráveis. O presidente aparece, assim, com capilaridade social ampla, algo que nenhum dos adversários demonstra possuir no momento.
No confronto com Tarcísio de Freitas, Lula soma 43,9%, enquanto o governador paulista registra 42,5%, novamente em situação de empate técnico. O dado mais relevante, porém, é que Lula lidera em todas as faixas etárias, níveis de escolaridade, recortes econômicos e de gênero, indicando um padrão de apoio homogêneo e consistente, não dependente de nichos específicos. Tarcísio, apesar de competitivo, ainda apresenta um eleitorado mais concentrado e menos distribuído socialmente.
Já na simulação entre Lula e Ratinho Júnior, o presidente aparece com 44,7%, contra 38,9% do governador do Paraná. Nesse caso, a diferença fica fora da margem de erro, configurando uma vantagem estatisticamente significativa para Lula e indicando maior dificuldade do adversário em ampliar seu alcance nacional.
A pesquisa também avaliou a percepção sobre uma eventual reeleição. 45,3% dos entrevistados afirmam que Lula merece ser reeleito, percentual expressivo em um cenário ainda distante da eleição. No Nordeste, esse índice sobe para 57,1%, consolidando a região como a principal âncora eleitoral do lulismo. No Norte, o apoio chega a 43,9%, enquanto no Sudeste é de 41%. No Sul, o percentual cai para 36,9%, refletindo uma resistência regional já conhecida e historicamente compensada pelo desempenho em outras partes do país.
Outro elemento favorável ao presidente é o volume ainda elevado de eleitores indecisos, brancos e nulos, sobretudo nos cenários sem Flávio Bolsonaro. Esse segmento tende a ser mais sensível a indicadores econômicos, políticas públicas visíveis e à avaliação do governo no último ano de mandato.
Como presidente em exercício, Lula entra na disputa com a vantagem adicional de poder converter agenda administrativa em capital político, algo que seus adversários — Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Aldo Rebelo — ainda não conseguem contrapor de forma equivalente no plano nacional.
A leitura estratégica da pesquisa indica que Lula não apenas lidera numericamente, mas detém as bases sociais mais estáveis e distribuídas do tabuleiro eleitoral. Os empates técnicos no segundo turno não sinalizam fragilidade, mas um cenário de alta polarização, no qual o presidente larga com ativos mais sólidos: memória de governo, força regional, apoio popular estruturado e capacidade de diálogo com diferentes segmentos sociais.
Se o desempenho econômico e social se mantiver ou avançar, a tendência é que essas vantagens se ampliem com a proximidade da eleição, consolidando Lula como o nome mais bem posicionado para a disputa presidencial de 2026.
