por Redação do Interior
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será homenageado nesta quarta-feira (28), na Cidade do Panamá, com a Ordem Manuel Amador Guerrero, a mais elevada distinção concedida pelo Estado panamenho. A condecoração ocorre durante a visita oficial do presidente brasileiro ao país, onde ele participa do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe.
A honraria leva o nome de Manuel Amador Guerrero, primeiro presidente do Panamá após a independência, proclamada em 1903, e é destinada a chefes de Estado e autoridades estrangeiras que tenham contribuído para o fortalecimento das relações políticas, diplomáticas e institucionais com o país centro-americano. O reconhecimento é considerado um gesto diplomático de alto nível e mostra a relevância estratégica do Brasil na agenda externa panamenha.
No caso de Lula, a condecoração reflete o aprofundamento das relações bilaterais entre Brasil e Panamá, que se intensificaram nos últimos anos. Desde 2024, Lula e o presidente panamenho, José Raúl Mulino, mantiveram uma agenda frequente de encontros em fóruns multilaterais e reuniões bilaterais. Em agosto de 2025, Mulino realizou visita oficial ao Brasil, agora retribuída pela viagem do presidente brasileiro.
A homenagem ocorre em um momento de expansão expressiva da parceria econômica entre os dois países. O comércio bilateral registrou crescimento de 78% no último ano, alcançando US$ 1,6 bilhão, impulsionado principalmente pelas exportações brasileiras de petróleo e derivados, que saltaram de US$ 300 milhões para US$ 1,6 bilhão. O resultado gerou superávit para o Brasil, o que levou a diplomacia brasileira a priorizar medidas para ampliar a importação de produtos panamenhos e equilibrar a balança comercial.
Além da área comercial, a cooperação bilateral avançou em setores estratégicos. Na defesa, a venda de quatro aeronaves Super Tucano, produzidas pela Embraer, ao governo do Panamá consolidou a presença da indústria brasileira de alta tecnologia na região. No campo dos investimentos, o Panamá concentra cerca de US$ 9,5 bilhões em capital brasileiro, figurando como o sétimo principal destino externo de investimentos do Brasil.
Durante o Fórum Econômico Internacional, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deve formalizar a assinatura do Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos, que estabelece regras de proteção para investidores dos dois países e busca estimular projetos produtivos de longo prazo, em linha com a estratégia brasileira de aprofundar a integração econômica regional.
Fórum e agenda presidencial
Lula está no Panamá nesta terça (27) e quarta-feira (28) para participar do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, evento promovido pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), em parceria com o governo panamenho. O encontro reúne chefes de Estado, representantes do setor privado e organismos internacionais para discutir os desafios econômicos e estratégicos da região.
Esta é a primeira visita do presidente ao Panamá neste mandato. O Brasil participa do Fórum como país convidado de honra, e Lula integra a sessão inaugural do evento, sendo o segundo líder a discursar, logo após o presidente José Raúl Mulino. A agenda inclui ainda reunião bilateral entre os dois chefes de Estado e uma visita oficial ao Canal do Panamá.
O Fórum conta com a presença de lideranças da América Latina e do Caribe, entre elas os presidentes da Bolívia, Rodrigo Paz, e do Equador, Daniel Noboa; o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast; a primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley; e o primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness.
Logística, Mercosul e integração regional
A relação entre Brasil e Panamá também se apoia na posição estratégica do país centro-americano como hub logístico regional. O Brasil é o 15º maior usuário do Canal do Panamá, por onde transitam cerca de sete milhões de toneladas de exportações brasileiras por ano. O Aeroporto Internacional de Tocumen, que movimenta aproximadamente 20 milhões de passageiros anuais, é outro ponto-chave para a conexão brasileira com a América Central, o Caribe e o norte da América do Sul.
Outro marco da relação bilateral é a associação do Panamá ao Mercosul, tornando-se o primeiro país da América Central a firmar esse tipo de acordo com o bloco sul-americano. A iniciativa é vista como estratégica para ampliar a integração regional e abrir novas frentes de negociação comercial.
Ao longo da visita, Lula deve abordar temas como desenvolvimento econômico regional, infraestrutura, comércio internacional, inteligência artificial, energia, mineração, turismo e segurança alimentar, em um contexto de reorganização das alianças econômicas na América Latina e no Caribe.
