por Redação do Interior
A Justiça de Alagoas decidiu manter em liberdade a médica Nádia Tamires Silva Lima, acusada de assassinar a tiros o ex-marido, o também médico Alan Carlos de Lima Cavalcante, em Arapiraca, no Agreste do estado. A decisão, confirmada nesta quarta-feira (28) pela defesa da acusada, reforça o entendimento judicial de que não há, neste momento, fundamentos legais para a retomada da prisão preventiva.
O crime ocorreu em 16 de novembro de 2025, em frente a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) localizada no Sítio Capim, na zona rural do município. Nádia foi flagrada atirando contra o ex-marido, que estava dentro de um carro, no banco do motorista. Imagens que circularam nas redes sociais mostraram momentos logo após o ataque e tiveram forte repercussão.
Após o homicídio, a médica foi localizada e presa em Maceió, ainda em posse da arma utilizada no crime. À época, a defesa alegou que ela teria agido em legítima defesa, tese que acabou descartada pela Polícia Civil, após análise de vídeos, perícias e demais elementos reunidos no inquérito. Com a conclusão das investigações, Nádia foi indiciada por homicídio qualificado, e o processo segue em tramitação.
Cerca de 30 dias após o crime, uma decisão liminar concedida em habeas corpus revogou a prisão preventiva. No pedido, a defesa sustentou a ilegalidade da custódia, apontando ausência de fundamentação concreta, desrespeito a critérios legais e destacando a dependência da filha do casal, de quatro anos, dos cuidados maternos. O desembargador responsável entendeu que a manutenção da prisão seria desproporcional e afirmou não haver indícios de risco à ordem pública ou ao andamento do processo.
Com a decisão mais recente, a médica permanece respondendo ao processo em liberdade, sob medidas cautelares, entre elas a proibição de se ausentar da comarca sem autorização judicial. O Judiciário ressalta que a liberdade provisória tem caráter estritamente processual e não representa absolvição, uma vez que a ação penal continua em curso.
A revogação da prisão preventiva também abriu caminho para que Nádia Tamires retomasse o exercício da medicina. Ela voltou a trabalhar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Emergência do Agreste (HEA), em Arapiraca, onde é funcionária contratada desde 2021.
