Juiz federal suspende deportação de menino equatoriano de 5 anos e pai após operação do ICE em Minnesota

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por Redação do Interior

Uma decisão da Justiça federal dos Estados Unidos suspendeu temporariamente a deportação do menino equatoriano Liam Conejo Ramos, de 5 anos, e de seu pai, Adrian Alexander Conejo Arias, detidos durante uma operação do Serviço de Imigração e Controle Aduaneiro (ICE) em Minnesota. A liminar foi concedida na segunda-feira (26) pelo juiz Fred Biery, do Distrito Oeste do Texas, e impede qualquer remoção do país ou transferência para outra jurisdição enquanto o processo judicial estiver em andamento.

Segundo a agência Associated Press e a rede CBS News, pai e filho permanecem detidos em um centro de detenção familiar em Dilley, no Texas, para onde foram levados após a prisão ocorrida no dia 20 de janeiro. A decisão judicial atende a uma ação que questiona a legalidade da detenção e da possível deportação, diante de alegações de violação de direitos fundamentais e de ausência de ordem formal de remoção.

Na decisão, o juiz determinou que o governo federal se abstenha de executar qualquer medida que possa alterar a situação migratória da família até que o mérito do caso seja analisado. Esse tipo de liminar é comum em disputas migratórias quando há indícios de que o devido processo legal pode não ter sido plenamente respeitado, especialmente em casos que envolvem crianças pequenas.

Operação do ICE e versões conflitantes

A suspensão da deportação ocorre em meio a forte controvérsia pública sobre a forma como a operação foi conduzida. De acordo com o distrito escolar de Columbia Heights, o menino foi apreendido por agentes do ICE após sair da escola. Autoridades educacionais e ativistas afirmam que a criança teria sido usada como instrumento para tentar localizar outros imigrantes, acusação que provocou protestos e críticas de organizações de direitos humanos.

A escola afirma que este foi o quarto caso de detenção de um menor de idade apenas neste mês em operações migratórias na região, o que, segundo educadores, tem gerado medo entre famílias imigrantes e afetado diretamente a frequência escolar. Imagens do menino com mochila e uniforme escolar circularam nas redes sociais e ampliaram a repercussão do episódio.

O Departamento de Segurança Interna (DHS), que supervisiona o ICE, nega irregularidades. Em nota, o órgão afirmou que o alvo da operação era o pai da criança e que ele teria fugido ao perceber a presença dos agentes, “abandonando” o menino. Segundo o DHS, a criança foi mantida sob custódia exclusivamente por razões de segurança, e não como parte de qualquer estratégia para localizar terceiros.

Advogados da família afirmam que pai e filho possuem um pedido de asilo em andamento e que não havia ordem de deportação ativa no momento da prisão, argumento que fortaleceu o pedido de suspensão da remoção. Especialistas em imigração avaliam que a decisão do juiz impõe cautela do governo federal em operações que envolvem crianças e famílias em situação migratória irregular, sobretudo quando há processos pendentes na Justiça.

O caso amplia o escrutínio sobre as práticas do ICE em um contexto de endurecimento das políticas migratórias e provoca o necessário e urgente debate sobre os limites legais e humanitários da atuação do Estado. Para autoridades educacionais de Minnesota, o impacto ultrapassa a esfera jurídica. “Quando uma criança é levada por agentes federais após sair da escola, a mensagem que fica é de medo”, afirmou um representante do distrito escolar, que cobra mudanças nos protocolos adotados pelo órgão federal.

A ação judicial segue em tramitação e novas decisões podem definir não apenas o destino da família, mas também servir de parâmetro para casos semelhantes envolvendo a detenção de menores em operações migratórias nos Estados Unidos.

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