por Redação do Interior
Mais de um ano após o estupro que deixou a jovem Maria Daniela Ferreira Alves com sequelas graves e permanentes, o principal suspeito do crime segue foragido, apesar de ter prisão preventiva decretada pela Justiça. O caso ocorreu em Coité do Nóia, no Agreste de Alagoas, e continua mobilizando familiares, a comunidade local e a defesa da vítima, que cobram providências efetivas das autoridades.
O crime aconteceu na noite de 6 de dezembro de 2024, em uma chácara localizada no Sítio Poção, zona rural do município. À época, Maria Daniela tinha 19 anos. De acordo com as investigações da Polícia Civil e relatos da família, a jovem foi dopada com diversas substâncias, ficou desorientada e incapaz de reagir e, em seguida, foi estuprada, espancada e asfixiada.
Horas depois, ela foi abandonada inconsciente em um posto de saúde, apresentando traumatismo, além de manchas de sangue pelo corpo e na região genital. O quadro clínico era extremamente grave, exigindo transferência imediata para unidade hospitalar de maior complexidade.
Sequelas graves e tratamento contínuo
Maria Daniela permaneceu vários dias em coma, sendo quatro deles internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Após sobreviver, passou a conviver com sequelas físicas, neurológicas e emocionais severas, que comprometem significativamente sua autonomia e qualidade de vida.
Atualmente, a jovem apresenta dificuldades motoras e cognitivas, depende de cadeira de rodas, faz uso de fraldas e necessita de tratamento contínuo, incluindo sessões regulares de fisioterapia, além de acompanhamento neurológico e psiquiátrico. A família relata que a rotina é marcada por cuidados permanentes e custos elevados com medicamentos, terapias e deslocamentos.
Crime foi premeditado, aponta o MP
O inquérito foi concluído pela Polícia Civil e encaminhado ao Ministério Público de Alagoas (MP-AL), que sustenta que o crime foi premeditado. Segundo a denúncia, a vítima foi dopada intencionalmente para ficar impossibilitada de oferecer qualquer tipo de resistência.
O laudo toxicológico identificou no organismo da jovem a presença de diazepam, fenitoína, haloperidol, nordiazepam, prometazina e loperidol, substâncias com efeitos sedativos e psicotrópicos, que reforçam a tese de uso deliberado de medicamentos para incapacitar a vítima.
O principal suspeito é Victor Bruno da Silva Santos, então com 18 anos, ex-colega de escola de Maria Daniela. A prisão preventiva foi decretada em 2 de abril de 2025, mas o suspeito não foi localizado e permanece foragido desde então. Contra ele, pesam acusações que incluem estupro de vulnerável, lesão corporal grave e outros crimes associados.
Advogada aponta possível esconderijo
Nesta quarta (38), a advogada da vítima, Dra. Júlia Nunes, afirmou publicamente ter recebido informação considerada segura sobre a localização do suspeito. Segundo ela, Victor Bruno estaria em uma fazenda pertencente a um político de Alagoas.
A advogada ressaltou que o mandado de prisão tem validade em todo o território nacional e deve ser cumprido independentemente de quem seja o proprietário da área onde o suspeito possa estar. Ela também afirmou que, caso não haja atuação imediata das forças estaduais, pretende provocar a Polícia Federal, por entender que o caso exige resposta firme do Estado.
Em declaração pública, a advogada disse:
“Pessoal, acabei de receber informação segura a localização do suspeito. E ele está numa fazenda de um político de Alagoas. Mas o mandado é para qualquer lugar do país. Então tem que ser cumprido, independente de quem seja a autoridade. Se está escondendo, se não está escondendo, está dentro das terras dele, ele tem que ser apresentado. Eu estarei acionando inclusive a Polícia Federal, porque a lei é para todos. Essa informação é seguríssima. Nós vamos até o fim. O político que sabe que ele está em suas terras precisa se posicionar. Nós não deixaremos barato. Vamos denunciar, formalizar e cobrar das autoridades até que a prisão seja cumprida.”
Cobrança por justiça
Familiares e apoiadores de Maria Daniela reforçam que o caso não pode cair no esquecimento e cobram celeridade, transparência e rigor na apuração. Para a defesa, a permanência do suspeito em liberdade representa não apenas um risco à sociedade, mas também uma nova forma de violência contra a vítima, que segue lutando diariamente para sobreviver às consequências do crime.
Até o momento, as autoridades não confirmaram oficialmente diligências relacionadas à informação divulgada pela advogada.
