Operação Mederi apura fraudes na saúde e desvio de recursos em prefeituras do RN

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por Redação do Interior

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta terça-feira (27) a Operação Mederi, voltada à investigação de um esquema criminoso suspeito de desviar recursos públicos e fraudar licitações na área da saúde em municípios do Rio Grande do Norte.

A ação resultou no cumprimento de 35 mandados de busca e apreensão, além da aplicação de medidas cautelares e patrimoniais, atingindo gestores públicos, secretarias municipais e empresas fornecedoras de insumos hospitalares. Pelo menos seis prefeituras da região Oeste potiguar estão no centro da apuração: Mossoró, Serra do Mel, Tibau, Paraú, São Miguel e José da Penha.

As investigações tiveram origem em auditorias conduzidas pela CGU, que apontaram irregularidades na execução de contratos administrativos firmados entre municípios e empresas do setor de saúde. Os levantamentos identificaram indícios de pagamentos por materiais que não teriam sido entregues, fornecimento em desacordo com o contratado e possíveis sobrepreços.

De acordo com a Polícia Federal, as empresas investigadas têm sede no Rio Grande do Norte e mantinham contratos com diversas administrações municipais, inclusive em outros estados, o que ampliou o alcance da apuração.

Mandados, apreensões e medidas judiciais

Além das buscas, a Justiça autorizou bloqueio de bens e outras medidas patrimoniais, com o objetivo de garantir o ressarcimento aos cofres públicos e preservar provas. A operação mobilizou 163 policiais federais e auditores da CGU.

Durante as diligências, um empresário de Serra do Mel foi conduzido em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. A PF também confirmou a apreensão de dinheiro na residência de um dos sócios de empresa investigada, além de equipamentos eletrônicos e veículos. A Justiça determinou ainda medidas cautelares contra empresários, incluindo pagamento de fiança e uso de tornozeleira eletrônica.

Os mandados foram executados nos municípios de Mossoró, Natal, Paraú, São Miguel, Upanema, Serra do Mel, Pau dos Ferros e José da Penha. Até o momento, não há registro oficial de prisões diretamente relacionadas às suspeitas de fraude contratual.

Gestores citados e respostas institucionais

Em Mossoró, o prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) e o vice-prefeito Marcos Medeiros (PSD) estiveram entre os alvos das buscas. A gestão municipal informou que a investigação não envolve atos pessoais do chefe do Executivo e destacou que os procedimentos ocorrem em fase preliminar. Equipamentos eletrônicos foram recolhidos, e a prefeitura afirmou que vem adotando medidas para reforçar a transparência na gestão da saúde desde 2023.

A Prefeitura de José da Penha confirmou contratos com a empresa investigada entre 2023 e 2025, mas afirmou que as contratações seguiram os trâmites legais. As buscas ocorreram em residências de secretários municipais e do pregoeiro, com apreensão apenas de celulares. O município informou que todos os contratos serão encaminhados à Polícia Federal.

Em São Miguel, a administração municipal declarou que os contratos sob apuração foram firmados durante a gestão anterior, abrangendo os anos de 2023 a 2025, e informou que está colaborando com as autoridades.

Já em Paraú, o prefeito Júnior Evaristo (PP) afirmou que a investigação tem como foco a empresa fornecedora de insumos e não a gestão municipal. Segundo a prefeitura, as contratações seguiram os procedimentos legais e nenhuma irregularidade foi constatada durante as buscas em residência do gestor.

A Prefeitura de Serra do Mel informou que não houve diligências em prédios públicos e que os serviços essenciais não foram afetados. A gestão declarou apoio às investigações e reafirmou compromisso com a legalidade. Até a última atualização, a Prefeitura de Tibau não havia se manifestado.

Balanço da operação

No balanço final divulgado pelas autoridades, a Operação Mederi resultou na apreensão de R$ 219 mil em dinheiro, distribuídos em sete locais de busca, além de 20 celulares, 17 mídias e equipamentos eletrônicos, como pen drives e computadores, e dois veículos.

A Polícia Federal informou que os investigados poderão responder por crimes relacionados ao desvio de recursos públicos e fraudes em contratações administrativas. As investigações seguem em andamento.

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