por Redação do Interior
Dias após a morte do enfermeiro Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, durante uma operação conduzida por agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) e do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em Minneapolis, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu afastar o comandante responsável pela ação na cidade. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (26) pela revista The Atlantic.
O oficial Gregory “Greg” Bovino, que comandava a ofensiva federal em Minneapolis, deixará a função e retornará ao cargo que ocupava anteriormente na Califórnia, onde atuava como agente do CBP. Segundo a publicação, Bovino deve se aposentar em breve, encerrando uma trajetória marcada por forte protagonismo nas políticas de deportação em massa do atual governo.
Bovino ganhou projeção nacional após ser nomeado pelo governo Trump como “comandante-geral” do CBP, um posto criado durante a atual gestão, sem atribuições claramente definidas. A partir dessa função, passou a se tornar uma das principais vozes públicas da política migratória, concedendo entrevistas coletivas, dialogando com a imprensa e liderando operações de grande escala em cidades como Los Angeles, Chicago e Minneapolis.

Conhecido por defender abordagens duras nas ações de deportação, Bovino também se tornou alvo de críticas por sua postura e aparência. O uso recorrente de um longo sobretudo militar, aliado ao corte de cabelo e à estética adotada em aparições públicas, gerou comparações feitas por opositores com vestimentas associadas ao nazismo — acusações que ele sempre rejeitou.
Recuo político após mortes e protestos
O afastamento de Bovino, se confirmado nos termos divulgados, representa o mais significativo recuo do governo Trump até agora em sua campanha de deportação em massa. A decisão ocorre após duas mortes de cidadãos americanos em operações federais em menos de um mês e semanas de ações ostensivas que provocaram tensão social na região metropolitana de Minneapolis, que abriga cerca de 4 milhões de habitantes.
Além de Pretti, morto no dia 24 de janeiro de 2026, outra civil, Renée Good, foi baleada por um agente federal no dia 7 de janeiro, ampliando a pressão sobre a Casa Branca e gerando protestos em várias cidades dos Estados Unidos.
Diante do desgaste político, autoridades locais passaram a exigir o encerramento da operação federal. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, afirmou que, após conversa com Trump, parte dos agentes federais começaria a deixar a cidade nos dias seguintes, embora a informação não tenha sido oficialmente confirmada pela Casa Branca.
Reorganização da operação federal

Com a saída de Bovino da linha de frente, o governo Trump decidiu reorganizar o comando da ofensiva migratória em Minnesota. O ex-diretor interino do ICE, Tom Homan, foi designado para assumir a coordenação das ações no estado, em uma tentativa de redefinir a estratégia e reduzir as tensões provocadas pelas operações recentes.
Fontes ligadas ao governo indicam que parte dos agentes da Patrulha de Fronteira e do ICE será retirada gradualmente de Minneapolis, como resposta ao escrutínio público e político. A reorganização faz parte de uma revisão mais ampla da chamada “Operation Metro Surge”, que passou a ser reavaliada após a escalada de críticas.
Apesar disso, há divergências sobre a natureza da saída de Bovino. Autoridades da Casa Branca e do Departamento de Segurança Interna (DHS) sustentam que não houve uma demissão formal, mas sim um reposicionamento administrativo, mantendo o agente nos quadros do serviço federal.
Pressão sobre o governo e risco para a cúpula do DHS
O episódio também elevou a pressão sobre a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, que passou a ser alvo de pedidos de afastamento e até de impeachment por parlamentares democratas. A deputada Robin Kelly, de Illinois, informou ter reunido 143 assinaturas em apoio à abertura de um processo de impeachment no Congresso, número próximo do necessário para dar início ao procedimento na Câmara dos Representantes.
Parlamentares e lideranças políticas apontam que a sequência de mortes durante operações federais exige responsabilização institucional e uma investigação independente sobre o uso da força por agentes do ICE e da Patrulha de Fronteira.
Senadores e deputados também reforçaram a necessidade de apuração externa e transparente sobre a morte de Alex Pretti, destacando que o caso expõe falhas graves de comando e de controle das ações federais.
O caso Alex Pretti
Alex Jeffrey Pretti era cidadão americano e atuava como enfermeiro de terapia intensiva no sistema de saúde voltado a veteranos de guerra, em Minneapolis. Ele era descrito por colegas, amigos e familiares como um profissional dedicado, respeitado e profundamente comprometido com o cuidado aos pacientes.
Na manhã em que foi morto, Pretti participava de um protesto e filmava a abordagem de agentes federais, segundo vídeos e testemunhos. As imagens indicam que ele foi imobilizado no chão antes de ser atingido pelos disparos.

As autoridades federais alegam que os agentes agiram em legítima defesa, afirmando que o enfermeiro estaria armado. No entanto, testemunhas e registros visuais contestam essa versão, apontando que Pretti segurava apenas um telefone celular no momento da ação. Embora possuísse licença legal para porte de arma, não há confirmação de que estivesse armado naquele instante.
A morte do enfermeiro provocou homenagens de profissionais da saúde, manifestações públicas e protestos que continuam a pressionar o governo federal por mudanças na condução das políticas de imigração e pelo esclarecimento completo do caso.
