Justiça torna PM réu por assassinato de enfermeiro em motel de Arapiraca

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por Redação do Interior

A Justiça de Alagoas aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou réu o policial militar Weliton Miguel dos Santos, acusado de matar a tiros o enfermeiro Ítalo Fernando de Melo, de 33 anos, dentro de um motel localizado em Arapiraca, no Agreste do estado. O crime ocorreu em um contexto que, segundo a acusação, envolve motivação passional e premeditação.

Com o recebimento da denúncia, o policial passa a responder formalmente por homicídio qualificado, modalidade prevista no Código Penal quando há circunstâncias que tornam o crime mais grave. No entendimento do Ministério Público — posição acolhida pelo Judiciário —, o assassinato foi cometido com motivo torpe e mediante uso de meio que dificultou a defesa da vítima.

O motivo torpe, conforme descrito na denúncia, estaria relacionado à suspeita de traição conjugal, considerada juridicamente uma razão desprezível. Já a segunda qualificadora se fundamenta no fato de o acusado ter surpreendido a vítima de forma inesperada, entrando armado no local e impossibilitando qualquer reação.

Dinâmica do crime sob investigação

As investigações apontam que o policial teria instalado, de forma clandestina, um dispositivo de rastreamento (GPS) no veículo da esposa, com o objetivo de monitorar seus deslocamentos. Ao acompanhar o trajeto, ele teria seguido o carro até o motel Imperial, situado no bairro Canaã, onde a mulher estaria acompanhada do enfermeiro.

De acordo com a apuração policial, após localizar a suíte, o militar entrou no estabelecimento e efetuou vários disparos de arma de fogo contra Ítalo Fernando de Melo, que morreu ainda no local em decorrência dos ferimentos.

Uma das principais evidências reunidas no processo é um projétil encontrado na cena do crime, cuja numeração corresponde à munição que estava em posse do policial. A arma apreendida com o acusado — uma pistola Glock calibre 9 milímetros — foi encaminhada para perícia.

O juiz responsável pelo caso determinou a realização de exames detalhados pelo Instituto de Criminalística, que deverá analisar o quarto do motel no prazo de até 15 dias. Também foi requisitada perícia no computador da vítima, que pode auxiliar no esclarecimento das circunstâncias que antecederam o crime.

Além disso, o Instituto Médico Legal (IML) de Arapiraca tem até dez dias para encaminhar o laudo cadavérico. Haverá ainda a comparação balística entre a arma do policial e as balas recolhidas no local.

Weliton Miguel dos Santos foi preso em flagrante logo após o homicídio. Durante audiência de custódia, a Justiça decidiu pela manutenção da prisão preventiva. Em depoimento, o policial optou por permanecer em silêncio.

Agora na condição de réu, ele terá prazo legal para apresentar defesa. Caso não constitua advogado particular, será representado pela Defensoria Pública.

A esposa do policial, Jéssica Lima Cavalcante, também é alvo de investigação. Ela é suspeita de falsa comunicação de crime, hipótese levantada a partir de versões apresentadas inicialmente à polícia. Em depoimento anterior, ela negou que o marido tivesse efetuado os disparos e afirmou desconhecer a existência do rastreador no veículo — declarações que, segundo os investigadores, estão sendo confrontadas com os elementos técnicos reunidos no inquérito.

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