Cantor João Lima se entrega à polícia após Justiça decretar prisão preventiva por violência doméstica

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por Redação do Interior

A Justiça da Paraíba decretou, no último domingo (25), a prisão preventiva do cantor paraibano João Lima, investigado por uma série de episódios de violência doméstica, ameaças de morte e coação psicológica contra a esposa, a médica e influenciadora digital Raphaella Brilhante. A decisão foi assinada pelo juiz Bruno César Azevedo Isidro, durante o plantão judiciário do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB).

Na manhã desta segunda-feira (26), João Lima se apresentou espontaneamente à Polícia Civil, em João Pessoa, para cumprir o mandado de prisão. Ele foi conduzido à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), acompanhado de advogados e do pai, o músico e político Cicinho Lima, que afirmou estar cumprindo seu “papel de pai e cidadão” ao entregar o filho às autoridades. O cantor entrou na unidade policial pelos fundos, para evitar contato com a imprensa.

O mandado de prisão preventiva detalha episódios considerados de extrema gravidade. De acordo com os autos, o caso mais violento teria ocorrido no dia 18 de janeiro, quando João Lima teria agredido Raphaella com socos, feito apertos na mandíbula e chegado a amordaçá-la, com o objetivo de impedir que gritasse por socorro. Ainda segundo a decisão judicial, durante a agressão, o cantor teria entregado uma faca à vítima, ordenando que ela tirasse a própria vida.

O documento também relata que, três dias depois, o investigado teria ido até a casa da mãe da vítima, onde fez novas ameaças, afirmando que iria “acabar com a vida dela” caso o relacionamento não fosse retomado. Ele também teria dito que, se Raphaella se envolvesse em outro relacionamento, mataria a vítima e o companheiro.

A prisão foi solicitada pelo Ministério Público da Paraíba, que apontou a necessidade da medida para garantir a ordem pública, resguardar a integridade física e psicológica da vítima e evitar a repetição dos crimes. Na decisão, o magistrado ressaltou que a gravidade dos fatos, aliada ao risco concreto de novas ameaças, justifica a adoção da prisão preventiva, considerada a medida cautelar mais severa prevista em lei.

Além da prisão, a Justiça determinou medidas protetivas de urgência, como a proibição de aproximação da vítima, a manutenção de uma distância mínima de 300 metros, a vedação de frequentar locais onde Raphaella possa estar — como shoppings e academias — e a proibição de qualquer tipo de contato, direto ou indireto, com ela ou com seus familiares.

Denúncia, provas e investigação

Raphaella Brilhante procurou a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) no sábado (24), onde registrou Boletim de Ocorrência e prestou depoimento, acompanhada de sua advogada. Segundo a defesa, a vítima apresentava lesões visíveis, incluindo o braço imobilizado.

Vídeos de câmeras de segurança que circulam nas redes sociais, mostrando cenas de agressão dentro da residência do casal, foram anexados ao inquérito policial e são apontados como elementos relevantes de prova. Além disso, um áudio de uma conversa entre o casal, que também passou a circular publicamente, traz o cantor admitindo agressões, material que poderá ser analisado e incorporado à investigação, conforme critérios legais.

De acordo com o relato feito à Polícia Civil, as agressões físicas e psicológicas teriam começado poucos dias após o casamento, celebrado em novembro de 2025, e se intensificaram ao longo dos meses seguintes. Em um dos episódios, o casal estava temporariamente separado, após a vítima pedir um tempo no relacionamento e retornar à casa dos pais, período em que ainda não havia contado à família sobre as violências sofridas.

Após a ampla repercussão do caso, Raphaella Brilhante se manifestou publicamente pela primeira vez por meio de um texto publicado nas redes sociais. Na mensagem, ela afirmou estar vivendo “uma dor que atravessa o corpo, a alma e a história” e destacou que “não há palavras que expliquem o impacto disso na vida de alguém”.

Com mais de 600 mil seguidores em uma única rede social, a médica também afirmou que “nenhuma mulher deveria precisar chegar a esse ponto para ser ouvida” e reforçou que todas as medidas legais estão sendo adotadas com respeito às instituições e à Justiça.

Após a formalização da prisão, João Lima deve passar por exame de corpo de delito no Instituto de Polícia Científica (IPC) e, em seguida, ser apresentado em audiência de custódia. O inquérito segue sob sigilo, por envolver crime de violência doméstica, e novas diligências devem ser realizadas.

A prisão do cantor ocorre em meio a forte repercussão pública e já resultou no cancelamento de shows e compromissos profissionais.

Violência doméstica é crime. Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, que funciona 24 horas em todo o Brasil.

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