por Redação do Interior
Um dique pertencente à mineradora Vale transbordou na madrugada deste domingo (25) no distrito de Pires, área localizada na divisa entre os municípios de Ouro Preto e Congonhas, na região central de Minas Gerais. O incidente provocou o vazamento de água misturada com sedimentos e lama, que se espalhou por áreas industriais próximas.
De acordo com as informações apuradas, o material atingiu instalações da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), incluindo um escritório administrativo, três oficinas e o almoxarifado, provocando alagamentos que chegaram a cerca de 1,5 metro de altura em alguns pontos. Como consequência, houve interrupção da captação de água local e paralisação temporária das operações na área afetada.
Trabalhadores evacuados e mobilização de equipes
Por medida de segurança, aproximadamente 200 trabalhadores foram evacuados preventivamente. Parte deles chegou a ficar isolada por cerca de uma hora, mas todos foram retirados do local sem registro de feridos, segundo as autoridades.
A Defesa Civil de Minas Gerais, em conjunto com equipes das prefeituras de Ouro Preto e Congonhas, foi acionada e deslocou técnicos para o local com o objetivo de avaliar riscos ambientais, estruturais e operacionais.
Em nota oficial, a Vale esclareceu que o episódio foi um “extravasamento de água com sedimentos” ocorrido em uma cava da Mina de Fábrica, e reforçou que não há qualquer relação com barragens de rejeitos da empresa.
A mineradora informou ainda que nenhuma comunidade foi diretamente atingida, que os órgãos competentes foram comunicados e que as causas do extravasamento estão sendo apuradas. A empresa destacou também que suas barragens na região permanecem estáveis, seguras e sob monitoramento contínuo.
Atenção para possível avanço da lama
Apesar de o impacto inicial ter se concentrado em área industrial, as autoridades acompanham com atenção o comportamento do curso d’água afetado, conhecido localmente como Rio Preto ou Goiabeiras, que segue em direção ao centro urbano de Congonhas, passando por áreas próximas à rodoviária do município.
Relatos colhidos por equipes técnicas indicam que o nível do rio já estava acima do normal antes do transbordamento, o que aumenta a preocupação com o possível deslocamento de sedimentos rio abaixo.
O incidente causou temores entre os moradores em razão dos acidentes anteriores provocados pela empresa, que há anos apontam riscos relacionados a estruturas de mineração instaladas nas proximidades do distrito. As avaliações ambientais seguem em andamento para verificar eventuais danos além das áreas industriais.
CSN acompanha situação
Também em nota, a CSN Mineração informou que o alagamento atingiu diversas áreas de sua unidade em Pires, como almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas e áreas de embarque, mas ressaltou que suas próprias estruturas de contenção de sedimentos operam normalmente. A empresa afirmou ainda que acompanha o caso desde o primeiro momento e que as autoridades já foram oficialmente comunicadas.
Até o momento, não há confirmação de impactos ambientais mais amplos, e os órgãos de fiscalização continuam monitorando o cenário enquanto as investigações sobre as causas do transbordamento avançam.
