Milhares protestam em Minnesota contra atuação do ICE e detenção de crianças

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por Redação do Interior

Milhares de manifestantes desafiaram o frio intenso neste fim de semana para marchar pelas ruas de Minneapolis e regiões metropolitanas como parte de um protesto contra as operações do Immigration and Customs Enforcement (ICE), a polícia federal de imigração dos Estados Unidos. A mobilização, que ocorreu principalmente na sexta-feira (23), continuou reverberando neste sábado com forte cobertura da mídia local e internacional.

A principal ação foi a chamada “ICE Out of Minnesota: Day of Truth and Freedom”, uma greve geral e “apagão econômico” em que trabalhadores foram incentivados a não ir ao trabalho, escolas permaneceram vazias e centenas de negócios fecharam em solidariedade aos protestos.

Organizadores afirmam que se trata de um dos maiores protestos contra políticas de imigração federais nos últimos anos, reunindo sindicatos, líderes religiosos e ativistas comunitários. Mais de 100 membros do clero foram presos durante um ato no Aeroporto Internacional de Minneapolis–Saint Paul, onde clamavam para que companhias aéreas deixassem de cooperar com voos de deportação.

Detenção de crianças intensifica indignação pública

O protesto ganhou ainda mais força e indignação com as denúncias de que o ICE deteve crianças durante operações em Minnesota, incluindo um caso que se tornou símbolo da controvérsia.

Agentes do ICE detiveram um menino de 5 anos, identificado como Liam Conejo Ramos, junto com seu pai, Adrian Conejo Arias, em Columbia Heights, subúrbio de Minneapolis. Relatos de autoridades escolares e vizinhos — e veiculados pela imprensa internacional — afirmam que o menino foi usado como “isca” para atrair o pai à abordagem policial, algo que as autoridades federais negam, alegando que o pai teria fugido deixando a criança. Ambos foram levados para um centro de detenção familiar no Texas.

Além de Liam, autoridades locais confirmaram que ao menos mais três crianças — duas de 7 anos e uma de 10 — também foram detidas em ações recentes do ICE no estado, algumas enquanto se dirigiam à escola. A superintendente do distrito escolar disse que a detenção de menores tem causado medo entre estudantes e famílias.

Esses episódios intensificaram a crítica pública à atuação do ICE e se tornaram um dos principais motivos para a mobilização popular nos últimos dias, ao lado da condenação à morte da cidadã americana Renée Good, que foi baleada por um agente do ICE no início de janeiro.

Reivindicações e contexto do protesto

Os manifestantes concentram suas demandas em alguns pontos centrais:

  • Retirada imediata dos agentes do ICE de Minnesota;
  • Responsabilização legal e investigação sobre as ações que levaram à morte de Renée Good;
  • Revisão das políticas de imigração e fim do financiamento adicional ao ICE;
  • Garantias de proteção a crianças e famílias durante operações de fiscalização.

A mobilização também tem se espalhado para outras cidades dos EUA, com demonstrações de solidariedade em estados como Michigan e protestos menores em outras regiões.

O protesto ocorre em um momento de forte polarização política nos EUA, com o governo federal — sob administração atual — defendendo a intensificação das ações de imigração como necessárias para segurança, enquanto líderes locais e estaduais criticam o que consideram uma atuação excessiva e violenta que estigmatiza comunidades inteiras.

A greve geral deste fim de semana marcou um dos maiores episódios de descontentamento social relacionado às políticas de imigração federais em 2026, ampliando o debate nacional sobre direitos civis, tratamento de migrantes e proteção de menores de idade diante de operações policiais.

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