do Interior
Nesta quinta-feira, a poesia alagoana reverencia Oliveiros Litrento, um nome raro que atravessou com igual rigor o quartel, a sala de aula e a literatura. Nascido em São Luís do Quitunde, em 26 de outubro de 1923, Litrento construiu uma trajetória singular: coronel do Exército, professor da Academia Militar das Agulhas Negras, da UFRJ e da UERJ, perito da ONU e intelectual respeitado em diferentes campos do saber. Mas foi na palavra escrita que encontrou o território mais duradouro de sua inquietação.

Premiado pela Academia Brasileira de Letras, Oliveiros Litrento desenvolveu uma obra literária marcada pela contenção e pela profundidade. Em livros como O Astronauta Marinho e Tempo da Cachoeira, sua escrita observa o tempo com a paciência de quem sabe que a memória não é ruído, mas permanência. A paisagem — especialmente a nordestina — surge não como cenário, mas como matéria viva, atravessada por reflexão, silêncio e densidade humana.
Sua poesia e sua prosa recusam o excesso retórico e apostam no rigor do pensamento aliado à sensibilidade. Em Litrento, a emoção não se impõe: ela se revela. E talvez por isso sua literatura siga atual — porque nasce do encontro entre disciplina e delicadeza, entre o mundo concreto e o espanto diante do que permanece invisível. Um poeta que ensinou que a palavra, quando verdadeira, também é forma de resistência.


