Trump critica Europa em Davos e defende que países adotem modelo econômico dos EUA

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por Redação do Interior

Em meio à escalada de tensões diplomáticas envolvendo a Groenlândia e a ameaça de novas tarifas comerciais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a mirar a Europa ao afirmar que o continente “segue na direção errada” do ponto de vista econômico. A declaração foi feita nesta quarta-feira (21), durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

Segundo Trump, partes da Europa se tornaram “quase irreconhecíveis” nos últimos anos. O republicano disse receber relatos de amigos que visitam o continente e afirmam não reconhecer mais algumas regiões. Apesar do tom crítico, ele declarou ter apreço pela Europa e afirmou desejar que o bloco “vá bem”, mas insistiu que as políticas adotadas atualmente prejudicam o crescimento econômico.

“O continente está indo na direção errada. Vocês podem discutir isso, mas é um fato”, disse o presidente americano, ao defender que países europeus passem a adotar políticas mais próximas das implementadas pelos Estados Unidos.

Modelo americano e críticas à Europa

Trump destacou o desempenho recente da economia dos EUA, que classificou como o mais rápido crescimento da história do país. Segundo ele, o sucesso americano seria resultado da redução de gastos governamentais, do fortalecimento da indústria nacional, da exploração de energia acessível e de uma política migratória mais restritiva.

Na avaliação do presidente, houve nos últimos anos um consenso, tanto na Europa quanto em Washington, de que o crescimento econômico dependeria de altos gastos públicos e da transferência de indústrias pesadas para outros países. Ele também atacou duramente as políticas ambientais do continente.

“O consenso era mandar os chamados ‘trabalhos sujos’ e a indústria pesada para fora e substituir energia acessível pela máfia da energia verde”, afirmou, em tom crítico.

Trump voltou a se gabar de ter bloqueado projetos de energia renovável nos EUA e reiterou críticas às políticas migratórias europeias, além de ironizar o ex-presidente Joe Biden ao longo do discurso.

Crescimento dos EUA e cenário econômico

As declarações ocorreram logo após o presidente destacar indicadores positivos da economia americana. Na véspera, o Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou a projeção de crescimento do PIB dos EUA em 2026 para 2,4%, um aumento de 0,3 ponto percentual em relação às estimativas anteriores.

“Quando os Estados Unidos vão bem, o mundo vai bem. Quando os EUA vão mal, todos caem”, afirmou Trump, ao reforçar que, segundo ele, a população americana estaria “muito feliz” com sua gestão.

Apesar disso, nas últimas semanas, o presidente tem sido alvo de críticas até mesmo dentro de sua base de apoio, que cobra maior atenção aos problemas econômicos internos, diante do temor de perda de controle do Congresso nas eleições de meio de mandato previstas para o fim do ano.

Groenlândia, tarifas e tensão com a Europa

Boa parte do discurso de Trump também foi dedicada à Groenlândia, território sob domínio da Dinamarca. A insistência do presidente em assumir o controle da ilha elevou a tensão entre os Estados Unidos e países europeus, além de reacender o debate sobre possíveis tarifas comerciais.

Autoridades europeias reagiram com cautela às declarações. Lideranças como a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, e o presidente da França, Emmanuel Macron, alertaram que políticas agressivas, especialmente no campo tarifário, representam riscos à estabilidade econômica e à cooperação internacional.

Agências de classificação de risco, como a Fitch, também alertaram que eventuais tarifas impostas pelos EUA podem reduzir o PIB da zona do euro até 2027.

Na véspera do discurso de Trump, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, participou do fórum e pediu que os países europeus evitassem qualquer tipo de retaliação imediata. Segundo ele, as tarifas defendidas pelo governo americano devem ser vistas como instrumentos de negociação, e não como ataques diretos ao continente.

“Peço a todos que se acalmem, respirem fundo e não revidem. O presidente transmitirá sua mensagem”, afirmou Bessent.

“O uso de tarifas tem sido uma forma eficaz de levar países à mesa de negociação em temas estratégicos”, completou.

Esta foi a primeira visita de Trump à Suíça em seis anos. No início do discurso, ele agradeceu a presença do público e brincou ao dizer que estava diante de “amigos e inimigos”. Antes de embarcar para Davos, afirmou a jornalistas que esperava um encontro “interessante” e que não tinha ideia do que encontraria no evento.

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