por Redação do Interior
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta terça-feira (20) que o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi convidado a integrar o Conselho da Paz, organismo internacional criado pela atual administração americana com foco inicial na Faixa de Gaza. Segundo Trump, Lula poderá exercer um papel relevante dentro da nova estrutura, caso aceite o convite. As informações são da BBC.
A declaração foi feita durante coletiva de imprensa na Casa Branca, em Washington. Ao ser questionado por jornalistas, Trump confirmou pessoalmente o convite e fez um elogio direto ao presidente brasileiro.
“Eu convidei. Eu gosto dele. Lula terá um grande papel no Conselho da Paz”, afirmou.
De acordo com o governo americano, o conselho foi concebido como uma instância internacional de transição, voltada à reconstrução e à estabilização de Gaza no período pós-conflito. A proposta contou inicialmente com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), como parte do plano de paz liderado pelos Estados Unidos, mas tem despertado crescentes preocupações na comunidade internacional à medida que detalhes sobre sua estrutura e funcionamento vêm sendo divulgados.
Além de Lula, diversas lideranças globais receberam convites para integrar o órgão. Entre os nomes estão o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, que apoiou a invasão do Iraque em 2003, o presidente da Argentina, Javier Milei, que já confirmou participação, e o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán. No caso brasileiro, o Itamaraty confirmou o recebimento do convite, mas informou que ainda não há decisão sobre a adesão de Lula à entidade.
Uma autoridade americana declarou à CBS News, emissora parceira da BBC nos Estados Unidos, que não há exigência financeira para integrar o conselho por um mandato temporário, estimado em três anos. No entanto, segundo a mesma fonte, países ou líderes interessados em se tornar membros permanentes deverão contribuir com US$ 1 bilhão, valor equivalente a cerca de R$ 5,4 bilhões. De acordo com autoridades americanas, esses recursos seriam destinados ao financiamento da reconstrução da Faixa de Gaza.
Documentos obtidos pela agência de notícias Reuters, citados pela BBC, incluindo uma cópia da carta de convite e um rascunho do estatuto do conselho, indicam que o órgão será presidido vitaliciamente por Donald Trump, mesmo após o fim de seu mandato na Presidência dos Estados Unidos. O texto também prevê que a atuação do conselho poderá ser expandida futuramente para outros conflitos internacionais.
Durante a mesma coletiva, Trump foi questionado sobre a possibilidade de o Conselho da Paz vir a substituir a ONU. O presidente americano afirmou que a iniciativa tem potencial para assumir esse papel no futuro e voltou a criticar a atuação das Nações Unidas em conflitos armados.
“A ONU não tem sido muito útil em várias situações. A ONU deveria ter resolvido cada uma das guerras que eu resolvi”, declarou.
As declarações reforçam as dúvidas levantadas por diplomatas e analistas sobre o impacto do novo conselho na ordem internacional e sobre o possível enfraquecimento de mecanismos multilaterais tradicionais.
