Renan Calheiros aponta pressão sobre o TCU no caso Banco Master em entrevista à GloboNews

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por Redação do Interior

O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou, em entrevista à GloboNews nesta segunda-feira (18), que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), teriam atuado para influenciar decisões do Tribunal de Contas da União (TCU) relacionadas ao escândalo envolvendo o Banco Master.

Segundo o senador, há informações de que ambos exerceram pressão sobre integrantes do TCU com o objetivo de interferir em medidas adotadas após a liquidação da instituição financeira. Entre os episódios citados está a realização de uma inspeção no Banco Central (BC), autorizada pelo ministro Jhonatan de Jesus, além de outros procedimentos vinculados ao caso que passaram a tramitar sob sigilo.

Renan afirmou que as decisões tomadas pelo TCU não se restringem a um único ato e que diversos processos ligados ao Banco Master teriam a mesma origem política, marcada por articulações externas ao tribunal. Para o senador, o sigilo imposto a essas apurações levanta questionamentos sobre a transparência e a independência do órgão de controle.

Durante a entrevista, Renan Calheiros também manifestou estranhamento em relação à atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. Na avaliação do parlamentar, chamou atenção a forma como o ministro concentrou a condução da investigação e, posteriormente, determinou a transferência do sigilo das apurações para a presidência do Senado.

O senador ainda criticou a atuação do Banco Central no caso, apontando demora na adoção de providências contra o Banco Master. Segundo Renan, é necessário apurar por que a liquidação da instituição ocorreu tardiamente e cobrar responsabilidades da direção do BC, incluindo o presidente Gabriel Galípolo.

No âmbito do Senado, o caso deve avançar nas próximas semanas. Renan confirmou que a Comissão de Assuntos Econômicos instalará, na primeira semana de fevereiro, um grupo de trabalho para acompanhar e supervisionar as investigações envolvendo o Banco Master. O colegiado foi criado na semana passada com sete integrantes e será coordenado pelo próprio senador, devendo ser ampliado com mais quatro parlamentares após manifestações de interesse.

Ainda sem definição de prioridades, o grupo pretende realizar audiências públicas e poderá, mediante decisão do plenário do Senado, solicitar medidas como a quebra de sigilos. Renan ressaltou que a legislação permite que o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) forneçam informações sigilosas às comissões do Congresso, em razão do papel fiscalizador do Legislativo.

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